Árabes vêem com desconfiança pedido de diálogo de Israel

O apelo do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, para a realização de uma conferência regional com líderes árabes foi recebido com desconfiança nesta segunda-feira, 2, por parte de autoridades palestinas. Alguns diplomatas descreveram a declaração de Olmert como uma tática diversiva. O premier propôs a realização de uma conferência como alternativa aos planos defendidos pelos EUA para que haja negociações por meio de uma comissão da Liga Árabe, responsável por discutir detalhes de um eventual acordo envolvendo a troca de terras por paz, disseram diplomatas. Mas os diplomatas descartaram as chances de uma conferência do tipo a ser realizada porque a Arábia Saudita já deixou claro para os EUA que não participaria de nada semelhante enquanto o Estado judaico não se comprometer a acatar o plano de paz adotado na semana passada por uma cúpula árabe. Os EUA, o Egito e outros países pressionam Olmert a aceitar a realização de negociações com a comissão da Liga Árabe, mas o premier vem se mostrando relutante em ceder. "Ele está fazendo uma proposta alternativa (a proposta de realizar uma conferência regional) porque sabe que isso não vai acontecer. Ele está tentando colocar a questão de lado", afirmou um dos diplomatas, familiarizado com o processo decisório em Israel. Nimer Hammad, assessor político do presidente palestino, Mahmoud Abbas, descreveu a proposta como uma "evasiva", acrescentando que o israelense busca a "normalização" das relações "sem querer pagar o preço por isso." Na cúpula de Riad, líderes árabes retomaram um plano de paz elaborado cinco anos atrás e que oferece a Israel a normalização dos laços diplomáticos com todos os países árabes em troca da retirada total das terras capturadas na Guerra dos Seis Dias (1967), a criação de um Estado palestino e uma "solução justa" para os refugiados palestinos. Pontos positivosOlmert afirmou ter visto pontos positivos na proposta. Contudo, Israel, citando preocupações com sua segurança e preocupações de caráter demográfico, não aceita o regresso dos refugiados palestinos para suas antigas casas, que ficavam no território atualmente ocupado pelo Estado judaico. E o país também deseja preservar os grandes blocos de assentamento construídos na Cisjordânia ocupada. "O que a iniciativa árabe está pedindo é um preço alto demais para nós, um preço intolerável", afirmou à Rádio Israel Tzachi Hanegbi, presidente de uma importante comissão parlamentar e membro do partido Kadima (o mesmo do premiê). Mas, segundo Hanegbi, seria um erro "fechar a porta antes do início das negociações." Em uma entrevista coletiva realizada no domingo, Olmert convidou "todos os chefes de Estado árabes", entre os quais o da Arábia Saudita, a "realizar negociações conosco." O premiê também afirmou que estaria disposto a participar de um encontro com líderes árabes "moderados", se for convidado. "O primeiro-ministro está propondo a realização de um encontro do mais alto escalão e sem a imposição de precondições," afirmou uma autoridade na segunda-feira, acrescentando que o rei Abdullah, da Arábia Saudita, e Olmert poderiam então colocar suas propostas sobre a mesa. Diplomatas familiarizados com as discussões travadas dentro do governo israelense disseram que a postura do premiê refletia sua relutância em aceitar negociar detalhes de um eventual acordo durante um processo que seria comandado por uma pequena comissão de trabalho escolhida pelos países árabes. "Ele quer a normalização (dos laços) antes do início das negociações. Eles querem a normalização depois do acerto de um acordo", afirmou um diplomata. A Liga Árabe não especificou o que a comissão de trabalho faria e qual papel Israel desempenharia no processo. Segundo diplomatas, a comissão seria formada por países moderados e que possuem laços diplomáticos com Israel, entre os quais a Jordânia e o Egito. Esse órgão realizaria as negociações com o Estado judaico em nome dos outros países-membros da Liga Árabe, disseram os diplomatas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.