Árabes vêem no discurso de Bush determinação em atacar o Iraque

O discurso do presidente George W. Bush na ONU sobre o Iraque foi estudado por árabes - alguns disseram em vão - em busca de sinais de que uma guerra pode ser evitada. Entretanto, um exilado iraquiano afirmou que o mundo deveria apoiar as intenções de Bush."O discurso deixou claro pela primeira vez que os EUA estão comprometidos com a defesa dos direitos humanos básicos do povoiraquiano e seu direito de viver em paz e dignidade sem coerção e opressão", afirmou por telefone de Londres um porta-voz do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, Hamidal-Bayati."Pedimos às nações do mundo para agirem do mesmo modo e apoiarem o direito do povo iraquiano de proteção contra a repressão do regime (de Saddam Hussein).Mas os vizinhos do Iraque têm se oposto a um ataque, argumentando que isto iria desestabilizar toda a região. O ministro do Exterior do Catar, um aliado-chave dos EUA no Oriente Médio e base de forças americanas, pediu por uma solução diplomática."As Nações Unidas têm de desempenhar um papel", afirmou o xeque Hamad bin Jassem bin Jabor Al Thani, em Washington."Temos de trabalhar, todos nós, e fazer um esforço junto com asNações Unidas para dizer exatamente o que elas querem doIraque".O ministro da Informação jordaniano, Mohammad Affash Adwan, disse: "Esperamos que haja um diálogo imediato e urgente com asNações Unidas, onde todas as resoluções relacionadas com a questão iraquiana sejam implementadas, levando, como o esperado, à suspensão das sanções", impostas depois de o Iraque ter invadido o Kuwait em 1990.Muitos árabes consideram que as sanções ferem principalmente os iraquianos comuns, e questionam por quê Bush quer levar o mundo a uma guerra pelo fato de o Iraque desafiar sanções da ONU enquanto Israel não tem cumprido resoluções das Nações Unidasrelativas ao seu conflito com os palestinos.No Líbano, Osama Hamdan, do grupo militante Hamas, afirmou que Bush fez um discurso "tolo" e concentrou-se apenas "em venderum ataque contra o Iraque. Em relação à questão palestina, nãovimos nada de novo".Num café no centro de Amã, Ahmad Radhi jogava cartas com dois outros iraquianos, ignorando uma televisão ligada transmitindo odiscurso de Bush na ONU."Deixem ele falar, não nos importamos com o que ele diz", afirmou Radhi, que trabalha na construção civil em Amã desde que deixou o vizinho Iraque há três anos devido à deterioração das condições econômicas.O parlamentar egípcio Hamdin Sabahi disse que o pedido de Bush para o Iraque ser confrontado "não faz sentido" e iria "abriro caminho para os EUA não só atacarem o Iraque mas todos ospaíses árabes, muçulmanos e do Terceiro Mundo"."A conversa sobre desarmar o Iraque é pura hipocrisia, porqueeles (os americanos) querem elimar as armas do Iraque enquantomantêm o arsenal nuclear dos amigos israelenses deles",considerou.Reda Helal, um analista político egípcio, estimou que Bush temexigido mais do Iraque do que qualquer país poderia atender,tornando a guerra uma certeza."Ninguém vai derramar lágrimas por Saddam, mas os árabes estão preocupados com o povo iraquiano", afirmou.

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