Arábia Saudita abre oito vagas para carrascos

Anúncio diz que candidatos não necessitam experiência; número de execuções no reino vem aumentando

O Estado de S. Paulo

18 de maio de 2015 | 21h02

 BEIRUTE - As pessoas em busca de um emprego na Arábia Saudita que têm constituição forte e seguem estritamente a lei islâmica podem considerar uma das oito vagas oferecidas para conduzir decapitações públicas ou amputações de ladrões condenados. 

As oito vagas, oferecidas no site do Ministério de Serviços Civis, não requerem nenhuma habilidade específica ou grau de instrução para a execução das penas de morte de acordo com a sharia (a lei islâmica), determinadas após um julgamento. Mas, diante da escassez de decapitadores qualificados em várias regiões do país e o número cada vez maior de execuções, os candidatos podem ter muito trabalho. 

A Justiça da Arábia Saudita pune tráfico de drogas, contrabando de armas, assassinatos ou outros crimes violentos com a pena de morte, geralmente por decapitação em praças públicas.

Apesar de a lei também ordenar que os ladrões tenham suas mãos amputadas essa punição raramente é aplicada, pois os juízes a consideram de mau gosto, segundo advogados sauditas.

No domingo, a Arábia Saudita decapitou um homem por tráfico de drogas, a 85ª pessoa executada este ano, segundo a ONG Human Rights Watch, com base em comunicados do governo saudita. Esse é quase o número total dos executados no ano passado, quando 88 pessoas foram decapitadas. Trinta e oito das execuções realizadas este ano, incluindo a de domingo, estão relacionadas com drogas, informou  Adam Coogle, pesquisador da Human Rights Watch. Nos Estados Unidos, 35 prisioneiros foram executados em 2014.

Os funcionários sauditas não comentaram o aumento do número de execuções, que os líderes do reino descrevem como o melhor meio de deter a criminalidade.

As novas vagas para carrasco foram anunciadas quatro meses após o rei Salman, que prometeu agir rapidamente para reorganizar o governo e promover uma nova geração de funcionários, assumir o trono. Mas o novo monarca não revelou nenhuma intenção de reformar o sistema judiciário, que é profundamente conservador e dá aos juízes o poder de definir os crimes e determinar as punições.

O anúncio divulgado nesta segunda-feira não especifica nenhuma experiência, treinamento ou grau de escolaridade para o trabalho. Mas também não revelou o salário. Em algumas províncias da Arábia Saudita o trabalho de carrasco passa de pai para filho. Na Província de Qassim, norte da capital, Riad, o carrasco trabalha diariamente como guarda e realiza execuções ocasionalmente, recebendo um bônus de mais de US$ 1 mil por decapitação, segundo um funcionário do governo local. / THE NEW YORK TIMES

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