EFE/ Yahya Arhab
EFE/ Yahya Arhab

Arábia Saudita ataca Iêmen após atentado com drone contra oleoduto

Coalizão liderada por sauditas que luta contra rebeldes houthis bombardeou a capital iemenita, Sanaa; vice-ministro da Defesa saudita acusou acusou o Irã de estar por trás do ataque com aviões não tripulados

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 09h27

Aviões da coalizão liderada pela Arábia Saudita bombardearam nesta quinta-feira, 16, a capital do Iêmen, Sanaa, 48 horas depois de um ataque com drones dos rebeldes houthis contra um oleoduto saudita. Ao menos seis pessoas morreram e 10 ficaram feridas em um dos ataques na capital do Iêmen, afirmou à AFP Mojtar Mohamed, médico do Hospital Republicano de Sanaa.

A coalizão anunciou na quarta-feira que responderia "com força" aos ataques dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã. "Começamos a realizar ataques aéreos seletivos contra posições da milícia houthi, inclusive em Sanaa", afirmou nesta quinta-feira uma fonte oficial da coalizão. O ataque, classificado de “terrorista” pelo governo saudita, ocorreu dois dias após petroleiros do país serem sabotados na costa dos Emirados Árabes. 

Uma testemunha afirmou à AFP que ouviu uma forte explosão no centro de Sanaa. O canal de televisão Al Masira, controlado pelos houthis, atribuiu os bombardeios aos "aviões da agressão" saudita. Em uma primeira mensagem no Twitter, a Al Masira citou seis bombardeios no distrito de Arhab, província de Sanaa. Mensagens posteriores citaram outros ataques, incluindo um na capital.

Outra testemunha declarou à AFP que os bombardeios começaram por volta das 8H00 (2H00 de Brasília). Na terça-feira, os houthis reivindicaram um ataque de drones contra um oleoduto na Arábia Saudita, que desde 2015 luta contra os rebeldes iemenitas ao lado dos Emirados Árabes Unidos.

O ministro para Assuntos Exteriores dos Emirados, Anwar Gargash, advertiu na quarta-feira que a coalizão pretendia "responder com força" a qualquer ataque dos houthis, apoiados por Teerã, contra alvos civis.

Os houthis lutam no Iêmen contra uma coalizão militar liderada pelos sauditas, e são apoiados pelo Irã. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão liderando a aliança muçulmana sunita apoiada pelo Ocidente que interveio no Iêmen em 2015 contra os houthis para tentar restaurar o governo internacionalmente reconhecido afastado do poder na capital Sanaa no fim de 2014. O conflito é visto na região como uma guerra por procuração entre a Arábia Saudita e o Irã. Os houthis negam ser marionetes do Irã e dizem que sua revolução é contra a corrupção.

Arábia Saudita acusa Irã

O vice-ministro da Defesa da Arábia Saudita, Khaled bin Salman, filho do rei saudita, acusou o Irã de estar por trás do ataque com drones dos rebeldes iemenitas contra duas estações de bombeamento de um oleoduto na região de Riad.

"O ataque dos milicianos houthis contra duas estações de bombeamento da Aramco prova que estes milicianos são um simples instrumento que o regime do Irã utiliza para aplicar sua agenda expansionista na região e não para proteger o povo do Iêmen, como afirmam de modo equivocado os houthis", afirmou o príncipe Khaled no Twitter.

Em outro tuite, Khaled afirmou que os "atos terroristas" foram "ordenados pelo regime de Teerã e executados pelos houthis". O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, também usou o Twitter para afirmar que os "houthis são uma parte invisível da Guarda Revolucionária do Irã e atuam sob suas ordens", como prova o ataque contra instalações petroleiras sauditas.

Nesta quinta-feira, a coalizão liderada pela Arábia Saudita que atua no Iêmen executou vários bombardeios contra alvos houthis, particularmente em Sanaa, a capital, onde pelo menos seis pessoas morreram./ AFP, REUTERS e AP

 

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