Middle East Monitor/Handout via REUTERS
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Arábia Saudita confirma que jornalista foi morto no consulado em Istambul

Segundo comunicado da Procuradoria Pública, Khashoggi morreu durante briga com agentes; 5 oficiais de alto escalão foram destituídos e 18 suspeitos de envolvimento no caso estão detidos

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 19h14
Atualizado 19 de outubro de 2018 | 23h33

RIAD - A Arábia Saudita confirmou que o jornalista Jamal Khashoggi foi morto no consulado em Istambul, dias depois de insistir que a alegação era sem fundamento. Segundo o governo, cinco oficiais de alto escalão foram afastados e 18 suspeitos de envolvimento foram presos e estão sendo investigados. Nenhum dos detidos foi identificado. A informação foi anunciada na TV pela procuradoria em Riad.

O jornalista, um duro crítico do regime saudita que se exilou nos EUA em 2017, estava desaparecido desde o dia 2, depois de ter entrado na representação para buscar papéis para seu casamento. O desaparecimento provocou condenações internacionais e estremeceu as relações entre a Arábia Saudita e o Ocidente.

De acordo com o comunicado lido na TV estatal, 18 sauditas foram presos e estão sendo investigados por conexão com o caso. Nenhum deles foi identificado. 

No comunicado, o promotor público do reino disse que uma investigação descobriu que surgiu uma discussão entre Khashoggi e homens que o encontraram no consulado saudita em Istambul, levando a uma "briga que terminou com sua morte".  "As discussões entre Jamal Khashoggi e aqueles com quem ele se reuniu no consulado do reino em Istambul degeneraram para uma briga corporal, levando à sua morte", reportou a Agência de Notícias saudita (SPA), citando a Procuradoria.

 O governo disse que as investigações ainda estão em andamento, mas informou que o conselheiro da corte real, Saud al-Qahtani, e o vice-diretor de inteligência, o general Ahmed al-Assiri, foram destituídos de seus cargos. Assiri é um conselheiro próximo do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.  

Um funcionário saudita com conhecimento das investigações, disse que o príncipe Bin Salman não tinha conhecimento dessa operação que resultou na morte do jornalista, mas sabia da instrução geral para trazer os críticos do reino de volta ao país. “MBS não sabia especificamente dessa operação e certamente não ordenou o assassinato ou o sequestro de ninguém”, disse o funcionário sob condição de anonimato. Ele acrescentou que o paradeiro do corpo de Khashoggi é desconhecido, pois seu corpo foi entregue a um “colaborador local”. 

De acordo com a Agência de Notícias Saudita (SPA), o rei Salman ordenou a reestruturação do serviço de inteligência e a formação de um comitê, sob o comando do príncipe herdeiro, que supervisionará a mudança. A agência acrescentou que o rei ordenou a atualização das regulamentações da agência, o alcance de seus poderes, além de uma avaliação de seus métodos e procedimentos.

Trump

O presidente americano, Donald Trump, considerou ontem “confiável” a explicação dada pelo governo saudita para a morte de Khashoggi. Falando a repórteres, Trump disse que o anúncio saudita foi “um bom primeiro passo e afirmou preferir que qualquer sanção contra a Arábia Saudita não inclua o cancelamento da compra de armas americanas. 

Mais cedo nesta sexta-feira, a polícia turca realizou buscas em uma floresta nos arredores de Istambul e nas proximidades de Yalova, cidade com costa no Mar de Mármara, em busca de restos mortais do jornalista. Autoridades turcas disseram que Khashoggi foi morto e esquartejado dentro do consulado por uma equipe de 15 agentes sauditas que haviam chegado para encontrá-lo. 

Além das buscas pelos restos, os investigadores também retiraram amostras durante as revistas no consulado saudita e na residência do cônsul e tentarão analisá-las em busca de traços do DNA de Khashoggi, disseram funcionários de alto escalão da Turquia. A van com registro do consulado que aparece nas gravações também foi examinada para se confirmar se o corpo do jornalista foi transportado nela.

Autoridades ampliaram o foco geográfico da busca após o rastreamento das rotas e paradas realizadas pelos carros que saíram do consulado saudita e da casa do cônsul em 2 de outubro, o dia em que Khashoggi foi visto pela última vez. Seus assassinos podem ter despejado seu corpo desmembrado na Floresta de Belgrado, adjacente a Istambul, ou em uma localidade rural próxima à cidade de Yalova, disseram os funcionários.

Imagens de câmeras de segurança no dia do desaparecimento mostraram que ao menos um veículo com placa diplomática entrou na floresta após sair do consulado, informou o canal NTV. 

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