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Arábia Saudita critica lei americana que permitiria processar Riad por atentados do 11/09

Ministério das Relações Exteriores saudita alega que muitos governos se opõem à medida pois ela representa um ‘perigo’ para as relações internacionais

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2016 | 14h23

RIAD - O governo da Arábia Saudita criticou a recente entrada em vigor nos EUA de uma lei que permitiria aos americanos processar Riad por seu suposto papel nos atentados de 11 de setembro de 2001, informou a agência de notícias oficial saudita SPA.

O Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou em um comunicado divulgado pela agência que a aprovação dessa lei "é uma fonte de grande preocupação para os países que são contra debilitar a imunidade soberana".

Segundo a fonte, o princípio de afetar essa imunidade "influencia negativamente todos os países, entre eles, EUA".

O Ministério também acrescentou que muitos governos e dezenas de especialistas em segurança nacional americana mostraram uma "grande oposição" a este regulamento, já que "sentiram o perigo que pode representar para as relações internacionais".

A fonte expressou esperança de que "o Congresso americano tome os passos necessários para evitar as graves consequências que podem resultar dessa lei".

A "Lei de Justiça contra Promotores do Terrorismo" entrou automaticamente em vigor na quarta-feira, depois que a Câmara dos Deputados e o Senado anularam o veto do presidente americano, Barack Obama, à lei.

Grande parte dos legisladores, tanto democratas quanto republicanos, consideram que há provas de que altos funcionários sauditas estiveram envolvidos na rede de financiamento dos atentados de 11 de setembro, nos quais morreram cerca de 3 mil pessoas, e que, portanto, as vítimas têm direito a processos coletivos contra Riad.

Diante disso, a Casa Branca argumenta que a legislação põe em perigo as relações entre EUA e Arábia Saudita, e cria um perigoso precedente porque, com a desculpa da reciprocidade, poderia estimular outras nações a fazer o mesmo.

O governo saudita nega ter laços com os responsáveis pelos ataques e fez um enorme esforço de pressão em Washington contra a lei, o que abriria as portas para uma onda de processos e pedidos de indenizações dos parentes das vítimas dos ataques terroristas. / EFE

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