EFE/Agencia de Noticias de Emiratos
EFE/Agencia de Noticias de Emiratos

Arábia Saudita denuncia sabotagem de navios petroleiros

Apesar de não acusar diretamente nenhum país, suspeitas recaem sobre Irã

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2019 | 21h36

BRUXELAS - A tensão no Golfo Pérsico aumentou nesta segunda-feira, 13, com a denúncia por parte da Arábia Saudita de um suposto ataque contra dois de seus petroleiros em águas da região. Horas antes, autoridades dos Emirados Árabes haviam informado sobre sabotagem em quatro de seus navios em suas águas territoriais e perto do Estreito de Ormuz.

Apesar de os dois governos evitarem atribuir a culpa a alguém, a suspeita recaiu sobre o Irã. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, apareceu hoje inesperadamente em Bruxelas, para tentar convencer os aliados a endurecer a relação com Teerã – mas não conseguiu apoio dos europeus. 

O confuso incidente denunciado por árabes e sauditas, que coincide com um aumento da presença militar americana na região, destaca o risco da polarização regional incentivada pelos EUA. O ministro saudita de Energia, Khalid al-Falih, revelou que dois petroleiros do país foram atacados no domingo em frente à costa de Fujaira, um dos sete emirados, quando se preparava para entrar no Golfo Pérsico. 

No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes denunciou “atos de sabotagem” em suas águas territoriais contra quatro navios comerciais, sem indicar a nacionalidade ou a natureza dos ataques.

Outro foco de tensão foram as falsas notícias de explosões no Porto de Fujaira difundidas na internet por sites pró-Irã, que foram negadas com firmeza pelas autoridades do emirado, que abriga um dos maiores centros de abastecimento para navios do mundo e um terminal de carregamento de petróleo. 

Estas instalações se encontram fora do Golfo Pérsico, no Mar de Omã, na entrada do Estreito de Ormuz, pelo qual circula um quinto do petróleo consumido no mundo e um terço do distribuído por via marítima.

Em comunicado divulgado pela agência estatal SPA, Al-Falih disse que não houve vítimas, derramamento de petróleo ou outros produtos químicos, mas o incidente provocou “danos significativos às estruturas dos dois barcos”. Fontes identificaram os petroleiros como Amjad e Al-Marzoqah.

Apesar de que nem a Arábia Saudita ou os Emirados explicaram exatamente o que aconteceu, os EUA admitiram hoje os incidentes. A pedido dos Emirados, os americanos enviaram uma equipe para investigar o caso. Os incidentes ocorreram em meio a um aumento de tensão entre Washington e Teerã. Os EUA abandonaram, no ano passado, o acordo nuclear firmado em 2015 e intensificaram as sanções contra o Irã, com o objetivo de impedir as exportações de petróleo. Recentemente, enviaram um porta-aviões, bombardeios e mísseis à região.  

Espiã 

O Irã anunciou nesta segunda-feira que condenou uma iraniana a 10 anos de prisão por espionar para o Reino Unido, o que coincidiu com o aumento das tensões entre Teerã e alguns países ocidentais.

Gholamhossein Esmaili, porta-voz do Judiciário, disse que a condenada estava encarregada de projetos de “infiltração cultural” no Irã. Ele não a identificou, mas disse que ela estudava no Reino Unido antes de ser recrutada pelo Conselho Britânico. Esmaili ainda disse que a mulher está presa há quase um ano. / REUTERS, AFP e EFE

 

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