Arábia Saudita desloca soldados para Meca e Medina

Após o atentado do começo da madrugada de domingo (noite de sábado no Brasil), que causou a morte de pelo menos 17 pessoas num complexo residencial de Riad habitado por diplomatas estrangeiros e altos funcionários sauditas, o governo da Arábia Saudita deslocou mais 5 mil soldados para Meca e Medina para proteger peregrinos muçulmanos de novos ataques terroristas. Segundo um responsável pela segurança do país, a medida foi adotada depois que a polícia saudita desarticulou uma célula terrorista que preparava uma ação em Meca, o mais sagrado local do Islã. Mais de 2 milhões de peregrinos estrangeiros e 500 mil sauditas devem visitar Meca e Medina - mais ao norte - nos próximos dias, em razão dos últimos dias do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos. "O reino saudita está preocupado com a segurança dos dois lugares santos e não poupará esforços para garantir a integridade dos fiéis", disse o funcionário, que pediu para não ter seu nome divulgado. O governo saudita está reforçando também a segurança nas instalações petrolíferas do país, o maior exportador de petróleo do planeta. O atentado do fim de semana foi atribuído pelo governo à rede terrorista Al-Qaeda, liderada pelo saudita Osama bin Laden - feroz inimigo da dinastia Saud, que controla o país. "Não importa quanto tempo demore, acabaremos encontrando os responsáveis (pelo atentado) e puniremos esses demônios", disse o ministro do Interior, príncipe Nayef ben Abdel Aziz, numa visita ao semidestruído complexo residencial de Al-Muhaya. As autoridades sauditas disseram que entre os mortos, há sete libaneses, quatro egípcios, um saudita e um sudanês. A nacionalidade dos outros mortos não foi determinada oficialmente. Mas o governo canadense informou hoje que um de seus cidadãos morreu no atentado e outros sete estavam feridos, alguns deles em estado grave. Cinco dos mortos eram crianças. No total, a explosão do carro-bomba - construído a partir de uma viatura da polícia roubada semanas antes - deixou 120 feridos, mulheres e crianças, na maioria. Um dia antes do atentado, o governo dos EUA havia ordenado o fechamento de sua embaixada em Riad e dos dois consulados que mantêm no país, em Jeddah e Darhan, por causa de um alerta de atentado lançado por seus serviços de inteligência. Segundo informou hoje o jornal The New York Times, Washington sabia da iminência de um atentado na Arábia Saudita, mas não conseguiu desbaratar a trama porque não tinha detalhes precisos sobre o alvo e seus possíveis autores. Depois do ataque, os EUA passaram a acreditar que o alvo era a própria família real saudita. "Está claro para mim que a Al-Qaeda quer derrubar a família real e o governo da Arábia Saudita", disse o subsecretário de Estado americano, Richard Armitage, à tevê Al Arabiya. "Não posso dizer que este atentado foi o último", salientou Armitage, após conversar com dirigentes sauditas, em Riad.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.