Arábia Saudita: Estudantes suspensas por não usarem véu

Ao menos 17 adolescentes estrangeiras foram suspensas das aulas, na Arábia Saudita, por descobrir o rosto no ônibus da escola, admitiu hoje Malika Al-Duseiri, diretora da Eight High School, em Dammam, a 400 quilômetros a noroeste da capital, ao jornal de Riad, Okaz.?Eu notei que elas tiravam os véus no ônibus escolar quando fiz uma batida de surpresa?, ela disse. Segundo Malika, ela pediu para ver os pais e as garotas assinaram um acordo de que não repetiriam o gesto. Não foram especificadas as nacionalidades das jovens e a diretora não atendeu a AP. O jornal Okaz citou membros das famílias dizendo que 20 garotas foram suspensas, desde quinta-feira passada. As famílias planejam recorrer às autoridades contra a decisão da escola. Mas há muito poucas chances de serem atendidas.Mulheres, na Arábia Saudita, locais ou estrangeiras, devem cobrir-se da cabeça aos pés em público, onde são segregadas e, em muitos casos, têm de se fazer acompanhar por um homem da família. O conservador reino saudita apenas passou a dar carteiras de identidade com fotos, a mulheres, depois de três anos de debates. O poderoso establishment religioso mantém-se firme em que rostos femininos não devem ser expostos a homens com quem não tenham parentesco.O novo RH com foto, raramente usado pelas mulheres, mostra o rosto, mas os cabelos devem estar cobertos. Antes, as mulheres eram registradas nos papéis de seus pais ou maridos.Os celulares com câmeras fotográficos foram banidos do reino saudita, uma vez que podem ser usados para tirar fotos de mulheres descobertas em enviá-las para outros telefones ou para a internet.Os crescentes apelos por reformas sociais e políticas na Arábia Saudita ? especialmente os direitos da mulher ? têm sido barrados pelos religiosos. No mês passado, clérigos e acadêmicos eminentes lançaram uma declaração de alerta contra pedidos de igualdade e maiores direitos para as mulheres, dizendo que esse esforços visam a tornar a mulher muçulmana igual à ?infiel? ocidental.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.