Ozan Kose / AFP
Ozan Kose / AFP

Arábia Saudita muda versão e diz que assassinato de jornalista foi planejado

Antes, o reino saudita afirmou que o assassinato do colunista do Washington Post Jamal Khashoggi, morto em 2 de outubro em Istambul, aconteceu como acidente em uma briga no local

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 11h11

RIAD - Promotores sauditas disseram que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi foi planejado, noticiou a agência estatal nesta quinta-feira, 25. A conclusão contraria a versão anterior da Arábia Saudita de que a morte do jornalista no consulado saudita em Istambul havia sido o resultado de uma briga no local.

O advogado-geral da União da Arábia Saudita, Saud al Mojeb, disse que os investigadores concluíram que a morte de Khashoggi foi premeditada depois de rever as evidências apresentadas pela Turquia como parte de uma investigação conjunta, declarou a imprensa estatal.

A Arábia Saudita inicialmente afirmou que o jornalista saiu do consulado após visita ao prédio em 2 de outubro. Depois, o país adotou uma nova versão, dizendo que havia prendido 18 pessoas pela morte acidental durante uma “briga de socos”.

Muitos países responderam com ceticismo à versão da briga envolvendo Khashoggi e pediram transparência. A Turquia tem aumentado a pressão sobre a Arábia Saudita, um rival regional, para revelar mais sobre o crime.

O aparente desastre no acobertamento do crime foi exposto pelos turcos ao mundo com vazamento de informações e filmagem de câmeras de segurança. Mistérios-chave ainda estão para ser esclarecidos, como a suspeita de que o príncipe da Arábia Saudita ordenou o crime - mesmo que ele o tenha condenado publicamente - e os paradeiros do corpo de Khashoggi, colunista do Washington Post.

“O corpo de Jamal Khashoggi ainda não foi achado. Onde está?”, disse nesta quinta-feira em uma entrevista coletiva o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu. “Houve um crime aqui, mas há também uma situação humanitária. A família quer saber e quer fazer as últimas honras”, disse em relação ao enterro do jornalista.

Ajuda americana

Em visita à chefe da CIA, Gina Haspel, autoridades turcas resumiram as investigações e apresentaram as evidências do assassinato, disse sob anonimato um oficial de segurança turco que não foi autorizado a falar com a imprensa. Ele não pôde confirmar se Haspel ouviu a suposta gravação do áudio do dia da morte do jornalista. Veículos da mídia pró-governo na Turquia reportaram que oficiais têm tal registro, mas a sua existência não foi confirmada.

Na quarta-feira 24, surgiram reportagens conflitantes sobre se os investigadores tinham feito buscas em um poço no jardim do consulado da Arábia Saudita na cidade turca como parte da operação. Segundo a versão do jornal Yeni Safak, eles esvaziaram o poço e aguardam os resultados da análise da água para determinar se há restos do corpo. Mas Sabah, outro jornal pró-governo, publicou vazamentos vindos de autoridades turcas, dizendo que a Arábia Saudita não deu permissão para serem iniciadas tais buscas.

A imprensa turca também publicou supostas imagens de câmeras de segurança mostrando um veículo pertencente ao consulado saudita “patrulhando” uma floresta nos arredores de Istambul antes de Kashoggi ser morto. A imagem, obtida pela televisão estatal TRT e por outro veículo na quarta-feira, mostra um carro preto com placa de licença diplomática na entrada da Floresta de Belgrado.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que autoridades sauditas fizeram “reconhecidas” viagens à flores assim como à cidade de Yalova um dia antes da morte do jornalista. Autoridades turcas disseram à Associated Press que investigadores avaliam a possibilidade de que os restos de Kashoggi estejam escondidos nesses locais. /AP

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