Arábia Saudita não quer uso de seu território para atacar Iraque

A Arábia Saudita deixou claro que os militares americanos não terão permissão para usar de qualquer forma o território do reino para um ataque contra o Iraque, disse hoje o ministro do Interior, príncipe Saud. A Arábia Saudita - aliada de longa data de Washington, cuja contribuição à guerra contra o terrorismo tem sido tanto aplaudida quanto criticada por americanos - não tem objeções ao monitoramento dos céus iraquianos por parte dos Estados Unidos a partir dos centros de controles aéreos norte-americanos no reino. Mas em relação ao uso dos centros ou de qualquer parte do território saudita para atacar o Iraque, a opinião é diferente. ?Nós dissemos a eles que não queremos que usem solo saudita", afirmou o príncipe. "Somos contra qualquer ataque contra o Iraque porque acreditamos não ser necessário, especialmente agora que o país está caminhando para implementar resoluções das Nações Unidas", declarou Saud em seu escritório em Jeddah. "Qualquer mudança que ocorra deve vir do povo iraquiano. Esta é a nossa posição." Segundo as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, sanções impostas depois de o Iraque ter invadido o Kuwait em 1990, culminando com a Guerra do Golfo, não podem ser suspensas até que inspetores da ONU se certifiquem de que armas biológicas, químicas e nucleares tenham sido destruídas junto com mísseis de longo alcance que as transportam. Mudanças O presidente dos EUA, George W. Bush, tem exigido uma mudança de regime no Iraque e a retórica de guerra tem se intensificado em Washington e no Oriente Médio. Segundo notícias, os Estados Unidos transferiram nos últimos meses munições, equipamentos e aparelhos de comunicação da Arábia Saudita para a Base Aérea de al-Udeid, em Catar, temendo que o reino não daria completo apoio a uma ação militar na região. Jornalistas que tiveram permissão de fazer uma rara visita à base em Catar, há seis semanas, perceberam sinais de movimentação, como novos hangares e pistas de pouso recentemente pavimentadas. Saud disse não ter pedido aos EUA para retirarem gradualmente suas tropas da Base Aérea Príncipe Sultan e afirmou não ter conhecimento da transferência de tropas e equipamentos americanos. Nações árabes têm se manifestado contra uma campanha militar dos EUA para derrubar Saddam Hussein, apesar de haver pouca simpatia na região em relação ao líder iraquiano. A maioria das nações árabes participou da coalizão liderada por Washington na Guerra do Golfo, que libertou o Kuwait em 1991, com a Arábia Saudita tendo convidado tropas americanas para entrarem no reino, rico em petróleo, para defendê-lo contra as forças de Saddam. Enquanto crescem especulações de que o Iraque será o próximo alvo dos EUA em sua guerra contra o terrorismo, correm rumores de que os sauditas estão adotando uma postura contra a guerra em público, mas privadamente oferecem apoio a autoridades americanas para um ataque contra Bagdá. Saud negou os rumores. "Não poderíamos ter uma posição mais clara, nossos líderes têm dito isso e todo mundo responsável no reino tem dito isso", disse ele. Relação sólida Saud insistiu que a relação de 70 anos de seu país com Washington continua tão sólida quanto era antes dos ataques de 11 de setembro nos EUA. Quinze dos 19 seqüestradores eram sauditas, conterrâneos de Osama bin Laden, suposto arquiteto dos atentados. "De nossa parte, e pelas conversações que temos tido com a administração (Bush), não temos visto mudança de atitude em relação à Arábia Saudita", garantiu Saud. O Pentágono, o Departamento de Estado e a Casa Branca têm se distanciado das últimas críticas em relação ao apoio saudita aos esforços americanos contra o terrorismo. Um grupo consultivo do Pentágono recomendou que fosse dado um ultimato ao reino para parar de apoiar terroristas ou sofreria retaliações. "Nós realmente não sabemos qual é a reclamação. Não mudamos, mas algumas pessoas querem interpretar tudo como sendo um perigo", disse Saud. Perguntado se tinha conhecimento de qualquer informação sobre o paradeiro de Bin Laden, vivo ou morto, ele respondeu: "Não sabemos". Saud também negou que o reino esteja enviando dinheiro a grupos extremistas islâmicos palestinos para financiar os ataques suicidas em território israelense.

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