Arábia Saudita nega acusações de ajuda a terroristas

A Arábia Saudita respondeu com irritação hoje a sugestões de que está indiretamente ajudando grupos terroristas, por não fiscalizar adequadamente contribuições a instituições de caridade. O assessor de política externa do príncipe herdeiro Abdullah, Adel Al-Jubeir, disse que o reino árabe está sendo alvo de uma campanha ultrajante que "beira ao ódio". Durante entrevista coletiva na Embaixada saudita, na qual foi divulgado um relatório, ele disse que a Arábia Saudita constituiu uma comissão para vistoriar grupos de caridade e proibiu transferências em dinheiro de um banco para outro. "Temos perseguido terroristas incansavelmente e os temos punido com dureza", afirmou Al-Jubeir. Mais de 2 mil suspeitos de terrorismo foram questionados, e mais de 100 estão detidos, segundo ele. O relatório informa que três células da Al-Qaeda foram desmanteladas e 33 contas congeladas, somando mais de US$ 5,5 milhões. Em todas as investigações, segundo Al-Jubeir, "não foi encontrada uma ligação direta entre grupos beneficentes e terrorismo". Boa parceira Na semana passada, a administração Bush revelou que grupos de trabalho no governo dos EUA estavam considerando formas de apertar os controles sobre fluxo de dinheiro para terroristas em todo o mundo. "O presidente acredita que a Arábia Saudita tem sido uma boa parceira na guerra contra o terrorismo, mas mesmo um bom parceiro como a Arábia Saudita pode fazer mais", disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. A pressão americana tem sido feita com muito cuidado. A administração Bush quer o apoio da Arábia Saudita para uma eventual guerra contra o Iraque. Al-Juber elogiou o presidente Bush por ter levado a questão iraquiana para a ONU. "Vamos apoiar qualquer decisão que as Nações Unidas tomem", disse ele. Perguntado se a Arábia Saudita permitirá que aviões dos EUA sobrevoem seu território para atacar o Iraque, ele respondeu: "Vamos tomar a decisão quando chegar o momento". Críticas afirmando que a Arábia Saudita é uma possível fonte de dinheiro para terroristas aumentaram depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington. Dos 19 supostos terroristas, 15 eram sauditas.

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