Arábia Saudita pediu ataque dos EUA contra o Irã, diz WikiLeaks

Site divulga mais 250 mil documentos secretos e revela bastidores das tensões sobre programa nuclear

estadão.com.br

28 Novembro 2010 | 17h12

LONDRES - O rei Abdullah, da Arábia Saudita, pediu várias vezes às lideranças americanas que atacassem o Irã para acabar com o programa nuclear do país persa. As informações foram reveladas pelo site WikiLeaks, que divulgou neste domingo, 28, cerca de 250 mil documentos secretos enviados dos EUA para suas embaixadas em todo o mundo.

 

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Os documentos revelam que vários países árabes pressionaram os EUA para um ataque contra as instalações nucleares iranianas e expõem os bastidores das tensões sobre o programa de enriquecimento de urânio mantido pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad. As mensagens teriam sido enviadas para embaixadas americanas para todo o Oriente Médio.

 

Segundo os registros, o rei Abdullah "frequentemente pediu aos EUA que atacassem o Irã para colocar um fim ao programa nuclear bélico do país". "Ele falou para vocês (americanos) cortarem a cabeça da cobra", teria dito o embaixador árabe em Washington, Adel al-Jubeir, segundo um relatório de uma reunião entre o rei saudita e o general David Petraeus, um alto comandante militar americano, em abril de 2008.

 

Os documentos também mostram a vontade de Israel em acabar com o programa nuclear iraniano. Suspeita-se que Israel seja o único país do Oriente Médio a ter armas nucleares, e assim a hegemonia bélica na região seria mantida, embora a posse de tal arsenal não seja confirmada.

 

O vazamento diz que Ehud Barak, ministro da Defesa israelense, estimou em junho de 2009 que haveria uma janela "de seis a oito meses" a partir de então na qual "deter o Irã de conseguir armas nucleares seria viável". Segundo Barak, depois disso, "qualquer ação militar resultaria em danos colaterais inaceitáveis".

 

As potências ocidentais acreditam que o Irã mantenha seu programa nuclear para a obtenção de armas atômicas, o que a República Islâmica nega. Os países têm tentado negociar com Teerã uma série de soluções para evitar que o enriquecimento de urânio iraniano tenha finalidades bélicas. Uma ação militar, como pede também Israel, é considerada apenas como o último recurso a ser usado, mas que poderia dar início a uma guerra muito maior.

 

O WikiLeaks é um site que se dedica a revelar documentos militares secretos dos EUA e de outros países. Neste ano, o site divulgou cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra do Iraque. Antes disso, o WikiLeaks já havia divulgado 90 mil relatórios confidenciais sobre abusos cometidos no Afeganistão.

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