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Arábia Saudita proíbe quem não quiser tomar vacina contra covid de peregrinar a Meca

Com pouco mais de um terço de sua população com ao menos uma dose da vacina contra a covid-19, o governo da Arábia Saudita decidiu impor restrições turísticas e religiosas a quem não quiser tomar o imunizante

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2021 | 12h00

RIAD - Com pouco mais de um terço de sua população com ao menos uma dose da vacina contra a covid-19, o governo da Arábia Saudita decidiu impor restrições turísticas e religiosas a quem não quiser tomar o imunizante. Berço do islamismo e um dos países mais religiosos do mundo, o reino proibiu quem não tiver recebido as doses de peregrinar a Meca.

A umrah, viagem ao berço do Islã que pode ser feita ao longo do ano, só será permitida a quem está com a vacinação em dia. O mesmo ocorre com o hajj, viagem a Meca que todo muçulmano deve fazer ao menos uma vez na vida. Viagens ao exterior também serão exclusivas para quem tiver se vacinado.

A razão para isso é econômica. Riad quer reativar o turismo, os eventos esportivos e o entretenimento, setores muito afetados pela crise da saúde e essenciais para o plano "Visão 2030", que visa diversificar sua economia, altamente dependente do petróleo.

O país também anunciou que a vacinação seria obrigatória a partir de agosto para entrar em estabelecimentos públicos e privados, incluindo centros de ensino e lazer, além do transporte público. Além disso,  apenas funcionários vacinados dos setores público e privado poderão retornar aos seus empregos.

Essas medidas provocaram críticas, inclusive nas redes sociais, com as hashtags "Não à vacinação compulsória" e "Meu corpo, minha escolha". "Você não poderá fazer mais nada (...) Viajar! Trabalhar! Ir a lugares públicos! Nem mesmo comprar comida! Ou estudar!", tuitou um internauta.

As medidas sauditas contrastam com a política de incentivos de alguns países como os Estados Unidos, onde a mídia fala em pagamentos, ingressos para jogos de beisebol e até cerveja grátis para estimular a vacinação. 

"Uma monarquia como a da Arábia Saudita pode adotar tal ação e provavelmente será eficaz para convencer aqueles que não querem se vacinar", diz Monica Gandhi, professora de Medicina da Universidade da Califórnia. "No entanto, pode ser visto como coercitivo", comentou.

Outros governos da região adotaram medidas semelhantes. Nos Emirados Árabes Unidos, Dubai anunciou que pessoas não vacinadas não poderão assistir a eventos esportivos e shows. Na semana passada, o Bahrein informou que está estudando restrições temporárias para que apenas pessoas vacinadas possam entrar em shoppings, restaurantes, cinemas e salões de beleza. No Catar, Kuwait e Emirados, os cidadãos lançaram uma campanha nas redes sociais para denunciar a "vacinação obrigatória". 

Mas a Arábia Saudita, a maior economia árabe, parece deteminada a continuar com sua política, coincidindo com grandes eventos midiáticos para melhorar sua imagem.  Riad poderia pagar mais de US$ 150 milhões para receber uma luta de boxe entre Tyson Fury e Anthony Joshua este ano, segundo a ESPN. O país também deve sediar uma cúpula de investimentos em outubro e seu primeiro Grande Prêmio de Fórmula 1 em dezembro.

"As vacinas são fundamentais para que o motor econômico do país volte à plena capacidade", de acordo com Robert Mogielnicki, do Instituto para os Países Árabes do Golfo, em Washington.  O ministério da Saúde afirma já ter administrado mais de 12 milhões de doses neste país de 34 milhões de pessoas./ AFP

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