Middle East Monitor / Reuters
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Arábia Saudita rejeita extraditar suspeitos de assassinar jornalista

Chanceler diz que eles são cidadãos sauditas e serão julgados em seu país, não na Turquia

O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2018 | 12h18

MANAMA, BAHREIN - A Arábia Saudita negou neste sábado o pedido da Turquia para extraditar os 18 sauditas acusados de terem assassinado o jornalista Jamal Khashoggi, e Washington advertiu Riad que esta crise desestabiliza o Oriente Médio.

"Sobre a questão da extradição, esses indivíduos são cidadãos sauditas, eles estão detidos na Arábia Saudita e a investigação será conduzida na Arábia Saudita, e eles serão julgados na Arábia Saudita", disse o ministro das Relações Exteriores saudita Adel al-Jubeir em uma conferência de segurança em Manama.

A promotoria de Istambul emitiu na sexta-feira um pedido de extradição contra 18 cidadãos sauditas detidos em seu país.

De acordo com autoridades turcas, o jornalista foi vítima de um assassinato cuidadosamente premeditado, cometido por uma equipe de agentes enviados por Riad.

Nop início, a Arábia Saudita negou a morte do jornalista crítico em relação ao poder no reino, e afirmou que ele tinha deixado o consulado pela porta de trás depois de ter entrado no 2 de outubro para providenciar alguns procedimentos administrativos para que pudesse se casar.

As autoridades sauditas acabaram reconhecendo que Jamal Khashoggi havia sido morto durante uma operação "não autorizada" e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, considerado o homem forte do reino, "não havia sido informado" a respeito.

Na quinta-feira, pela primeira vez, o procurador-geral da Arábia Saudita, aguardado neste domingo em Istambul, mencionou, de acordo com informações fornecidas pela Turquia, mencionou a idéia de que o assassinato do jornalista foi "premeditado" pelos perpetradores. "Este caso é o assunto de uma investigação", disse Jubeir.

 

- Estabilidade afectada -


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, alertou a Arábia Saudita que o assassinato de Jamal Khashoggi "deve preocupar a todos", já que afeta a segurança na região.

"Quando uma nação deixa de respeitar as normas internacionais e a lei, ela enfraquece a estabilidade regional no momento em que é mais necessária", acrescentou o chefe do Pentágono, que até agora havia sido muito discreto sobre o caso.

As autoridades saudita detiveram 18 suspeitos e afastaram 5 integrantes dos serviços de segurança, dois deles ligados ao príncipe herdeiro.

Este assassinato, que ofuscou a imagem do príncipe, provocou a indignação internacional e afetou as relações de Washington com o reino saudita, no qual o Estados Unidos se apoiam para frear a influência do Irã na região.

Mas Jubeir assegurou neste sábado que o reino "superará esta prova".

"A questão, como disse, é alvo de uma investigação. Saberemos a verdade. Os responsáveis deverão prestar contas. E ativaremos mecanismos para que isso não volte a ocorrer", prometeu Jubeir durante a mesma conferência.

- "Barbárie" -


Segundo a imprensa turca, Ancara compartilhou com a CIA americana as gravações em vídeo e áudio do assassinato de Khashoggi. O corpo do jornalista não foi encontrado no momento. 

"Que foi morto é um fato, mas onde ele está? Onde está seu corpo?", questionou o presidente turco Recep Tayyip Erdogan na sexta-feira.   

A imprensa e autoridades anônimas turcas envolveram pessoalmente o príncipe herdeiro saudita neste assassinato. Mas Erdogan, por enquanto, absteve-se de acusá-lo diretamente. Ambos falaram por telefone na quarta-feira pela primeira vez desde a morte do jornalista. 

A noiva turca de Jamal Khashoggi exigiu na sexta-feira que se puna "todos os responsáveis por essa barbárie". / AFP

 

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