Arábia Saudita se oferece para apoiar Mubarak caso Washington o abandone

Rei Abdullah pediu por telefone a Obama que não 'humilhe' presidente egípcio

Efe

10 de fevereiro de 2011 | 10h14

 

 

 

 

LONDRES - A Arábia Saudita se ofereceu para apoiar economicamente o presidente egípcio Hosni Mubarak se Washington tentar forçar uma rápida mudança de regime no Egito, informou nesta quinta-feira, 20, o jornal "The Times".

 

No dia 20 de janeiro, o rei Abdullah pediu por telefone ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que não humilhe Mubarak e advertiu que a Arábia Saudita estava disposta a apoiar o Cairo caso Washington coloque fim na sua ajuda de US$ 1,5 bilhões por ano ao país.

 

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A Arábia Saudita, aliado mais próximo dos EUA no golfo, disse ao Governo de Washington que deve deixar Mubarak presidir o processo de transição pacífica à democracia e permitir que ele deixe o cargo com dignidade, escreve o jornal britânico.

 

"Mubarak e o rei Abdullah não são apenas aliados, mas amigos íntimos, e o Rei não vai permitir que humilhem seu amigo", disse ao "The Times" uma importante fonte saudita.

 

O jornal britânico afirma ter confirmado com duas fontes o conteúdo do pedido feito pelo monarca saudita quatro dias depois que os egípcios foram às ruas para exigir a saída de Mubarak.

 

A linha dura adotada por Riad neste tema, assinala o jornal, responde à preocupação saudita para a prontidão com que os governos ocidentais parecem querer se livrar de Mubarak sem levar em conta o que pode acontecer depois.

 

"Com o Egito imerso no caos, o reino saudita é o único aliado importante de Washington no mundo árabe e os sauditas querem que os americanos não se esqueçam", disse uma fonte.

 

O Egito é o quarto maior receptor de ajuda dos EUA depois de Afeganistão, Paquistão e Israel, e a maior parte desse dinheiro vai para as Forças Armadas.

 

Riad teme cada vez mais o Irã e seus aliados do Hamas e Hezbollah, e o final do regime de Mubarak significaria a eliminação, não só de um importante aliado tanto da Arábia Saudita e dos EUA, mas de uma base contra o expansionismo iraniano, diz "The Times".

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