Hasan Jamali / AP
Hasan Jamali / AP

Arábia Saudita troca chanceler após morte de jornalista

Remodelação de governo ocorre quase três meses após Jamal Khashoggi ser assassinado no consulado saudita em Istambul em caso vinculado ao príncipe Bin Salman

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2018 | 21h56

RIAD - O rei Salman da Arábia Saudita substituiu nesta quinta-feira seu ministro das Relações Exteriores, na primeira remodelação do governo desde o escândalo internacional causado pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Ibrahim al Assaf, ex-ministro das Finanças, foi nomeado chanceler no lugar de  Adel al-Jubeir, escolhido para as Relações Exteriores pelo rei Abdullah, morto em 2015.

Jubeir, que foi diplomata nos Estados Unidos e tem um perfeito domínio do  inglês, foi relegado a vice-ministro das Relações Exteriores.

Durante os últimos meses, Jubeir defendeu o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman no caso Khashoggi, que manchou a imagem do regime saudita após o assassinato do jornalista no dia 2 de outubro, dentro do consulado saudita em Istambul.

A Arábia Saudita afirma que Jamal Khashoggi foi assassinado em uma operação que ocorreu "fora do controle" de suas autoridades, sob a iniciativa do subdiretor dos serviços secretos sauditas, Ahmad al Asiri, e do conselheiro da Corte Real Saud al-Qahtani, ambos destituídos.

Riad nega qualquer envolvimento do príncipe herdeiro no assassinato, mas a CIA e a imprensa turca apontam nesta direção.

A nomeação de Ibrahim al-Assaf faz parte de uma remodelação do governo saudita anunciada inesperadamente nesta quinta-feira, na qual os outros grandes ministérios não foram afetados. 

O príncipe herdeiro e também  ministro da Defesa, Mohamed Bin Salman, não muda sua pasta, assim como o ministro do Interior, Nayef ben Abdel Aziz. 

Muitos outros ministros, incluindo da Energia, Jaled al-Faleh, e das Finanças, Mohamed al-Jadaan, também permanecem no cargo. 

"É impossível não relacionar (a substituição do chanceler) com Khashoggi", explicou à AFP Mohamed Alyahya, especialista do Gulf Research Center, recordando que as mudanças de governo na monarquia saudita ocorrem de quatro em quatro anos.

A mudança não afeta qualquer setor ligado à gestão da economia, apesar da monarquia saudita registrar déficit público (US$ 35 bilhões) pelo sexto ano consecutivo, em razão da queda nos preços do petróleo.

Riad, cuja economia depende das exportações de petróleo, prevê uma arrecadação total de US$ 260 bilhões em 2019.

As autoridades sauditas esperam um crescimento do PIB de 2,3% em 2018, uma melhora significativa em relação ao 0,9% registrado em 2017.

O executivo acredita em manter o crescimento em 2019, com avanço de 2,6%. / AFP

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