Arábia Saudita vive clima de desconfiança

Embora o país seja menos vulnerável aos movimentos democráticos, o isolamento e o silêncio dos EUA fizeram acender um sinal de alerta

Robert F. Worth, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2011 | 00h00

Enquanto os levantes pela democracia se espalham pelo Oriente Médio, os governantes da Arábia Saudita - considerada a grande fortaleza do conservadorismo religioso e político na região - sentem-se cada vez mais isolados e preocupados com os Estados Unidos não serem mais aliados confiáveis, dizem diplomatas e funcionários do governo.

Graças a suas vastas reservas de petróleo, a seu poderoso establishment religioso e à popularidade de seu rei, a Arábia Saudita é muito menos vulnerável aos movimentos democráticos do que outros países da região. Mas os governantes do país foram abalados pela deposição do presidente egípcio Hosni Mubarak, um aliado fiel e valioso. Eles acompanham ansiosos os protestos que continuam a agitar os vizinhos Bahrein e Iêmen.

"Os sauditas estão completamente cercados pelo problema, da Jordânia até o Iraque, do Bahrein até o Iêmen", disse um diplomata árabe. "A Arábia Saudita é o último aliado de peso dos EUA na região próxima ao Irã."

Os sauditas tendem a enxergar todas as ameaças à ordem estabelecida na região como uma vitória de seu arqui-inimigo, o Irã, e seus aliados Síria e Hezbollah. Eles ficaram preocupados ao ver o governo de Barack Obama se afastar desta perspectiva e anunciar seu apoio a mudanças.

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