Arafat aceita convite de Blair; três palestinos morrem em tiroteios

Soldados israelenses mataram três palestinos na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo em que amenizavam um pouco as restrições ao direito de ir e vir na Cisjordânia. Também nesta segunda-feira, o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, aceitou um convite do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, para enviar a Londres uma delegação para discutir as perspectivas para a paz no Oriente Médio, disse o negociador palestino Saeb Erekat. Nenhum dos lados forneceu detalhes sobre a composição da delegação. Arafat passou aproximadamente um ano confinado a seu quartel-general na cidade cisjordaniana de Ramallah. Israel avisou que ele poderia sair se quisesse, mas talvez não pudesse retornar aos territórios palestinos. O cônsul britânico Geoffrey Adams entregou a Arafat uma carta de Blair com um convite para o envio de uma delegação no próximo ano, disse Erekat. Segundo ele, "a convicção e a crença do primeiro-ministro britânico no prosseguimento de todos os esforços possíveis para reativar o processo de paz agrada ao presidente Arafat". Há quase dois anos não ocorrem negociações de paz entre israelenses e palestinos. Em Gaza, onde choques armados ocorrem com uma freqüência quase diária, soldados israelenses abriram fogo contra dois palestinos nas proximidades de uma cerca entre Gaza e Israel, matando-os. Testemunhas israelenses e palestinas comentaram que armas e munições, inclusive granadas e bombas, foram encontradas próximas aos cadáveres, após um demorado tiroteio. O Exército de Israel alega que seus soldados inibiram uma tentativa palestina de entrar em Israel para a realização de um atentado. O grupo islâmico Hamas assumiu a responsabilidade. No sul da Faixa de Gaza, outro palestino foi morto durante um tiroteio entre palestinos armados e soldados israelenses que faziam a segurança de um assentamento judaico. Testemunhas, entretanto, disseram que o homem morto era um fazendeiro desarmado, não um pistoleiro. Em Rafah, perto da fronteira entre Gaza e Egito, tanques e escavadeiras do Exército de Israel derrubaram 16 barracos. De acordo com os palestinos, a destruição gerou mais de 200 desabrigados. Os israelenses alegam que os barracos estavam "vazios" e eram utilizados por supostos pistoleiros palestinos para atacar posições israelenses. Ainda nesta segunda-feira, Israel anunciou que permitirá aos palestinos que conduzam ônibus entre as cidades da Cisjordânia, restaurando um serviço interrompido há mais de dois anos, numa medida que visa a amenizar as restrições de viagem entre os palestinos da região. As companhias de ônibus palestinas informaram que o serviço deverá ser restabelecido amanhã. No entanto, estritas medidas de segurança serão adotadas pelos israelenses e espera-se que longos atrasos ocorram nas viagens. O Exército de Israel estabelecerá bloqueios rodoviários. Os ônibus serão obrigados a parar, todos os passageiros terão de descer e serão revistados para em seguida embarcarem num outro ônibus para seguir viagem, disse o proprietário de uma companhia de ônibus que recebeu instruções do Exército israelense e preferiu não se identificar. Porém, burocratas esperam que a retomada do serviço de ônibus ajude a estimular a combalida economia palestina, tornando possível o acesso de algumas pessoas a seus postos de trabalho.

Agencia Estado,

16 Dezembro 2002 | 17h11

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