Arafat acusa Bin Laden de explorar causa palestina

O presidente da Autoridade Palestina (ANP), Yasser Arafat, acusou o líder da rede terrorista Al-Qaeda Osama bin Laden, de "explorar a causa palestina quando sempre agiu contra os seus interesses". Em declarações ao jornal londrino The Sunday Times, Arafat acusa o dirigente da Al-Qaeda de se esconder atrás da causa palestina, acrescentando que "ele atua num terreno totalmente diferente e contra os nossos interesses". "Por que Bin Laden está falando sobre a Palestina, agora?", perguntou Arafat. "Bin Laden nunca, jamais, se preocupou com esse assunto. Ele nunca nos ajudou. Ele estava trabalhando em outra área completamente diferente e contra os nossos interesses." Arafat fez seu primeiro ataque a Bin Laden dois dias depois que um porta-voz do fundador da Al-Qaeda declarou que a prioridade da organização era um Estado palestino independente. "A nossa principal bandeira é a libertação das terras santas para serem devolvidas aos palestinos", disse Sulaiman Abu Ghaith, o porta-voz, em uma declaração gravada em que admitia a responsabilidade pelos ataques simultâneos a um avião israelense e um hotel em Mombassa, no Quênia, em 28 de novembro. A tentativa de derrubar o avião falhou, mas 15 pessoas morreram no atentado à bomba do Paradise Hotel. Arafat condenou a intervenção da Al-Qaeda. "Eu sou o primeiro líder (do mundo árabe) a confrontar Bin Laden", disse ele. "Eu estou dizendo a ele, diretamente, para não se esconder atrás da causa palestina." A diferença entre eles é grande: enquanto Arafat adoraria ser convidado para a Casa Branca, Bin Laden provavelmente sonha em destruí-la. Arafat estava particularmente irritado com um site da desconhecida Organização Islâmica Al-Qaeda na Palestina, que declara "unir nossas vozes com as dos mujaheddin (combatentes islâmicos) na Palestina... e não vamos aceitar nada além da libertação das terras palestinas". Segundo o jornal britânico, a história está do lado de Arafat. Bin Laden chegou tarde em sua defesa da causa palestina. Os dissidentes sauditas fundaram a Al-Qaeda para combater as tropas americanas em seu próprio terreno, que ele chama de "terra dos dois santuários sagrados", Medina e Meca. Ele denunciou o regime saudita e quer que a família real seja substituída por um governo baseado na sharia (código penal islâmico). Embora a Al-Qaeda agora mencione "irmãos palestinos" em todos os seus comunicados, não era assim até antes dos ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono, escreve o Sunday Times. Em uma longa exposição sobre seus objetivos em 1998, Bin Laden mencionou a Palestina apenas uma vez, para pedir a libertação de Jerusalém, terceiro terreno sagrado do Islã. Na entrevista, Arafat reconheceu que havia uma simpatia por Bin Laden entre os jovens da Cisjordânia e Gaza, mas isso vinha do desespero produzido pela falta de progresso na criação de um estado independente. "Esses garotos não sabem quem é Bin Laden", disse ele.

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