Arafat acusa Israel de investir na violência

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, garantiu hoje que não soltará as rédeas do poder para converter-se em um "governante títere" e voltou a exigir a retirada das tropas israelenses das zonas autônomas na Cisjordânia e Faixa de Gaza como condição para completar as reformas institucionais e convocar eleições. Segundo o líder palestino, Israel está interessado na violência como meio de manter a ocupação militar. "Eu sou Abu Amar (seu nome de guerra) e não Hamid Karzai (o presidente interino do Afeganistão)", disse Arafat em entrevista ao diário argelino Al-Wuatan, reproduzida pela imprensa palestina. Arafat mandou o recado aos EUA e Israel, que pressionam por sua saída do poder, e também a alguns integrantes de sua própria facção, a Fatah, defensores da criação do cargo de primeiro-ministro, para esvaziar o poder dele. É grande a instafisfação com o líder palestino nos territórios ocupados por Israel, tanto dos que o criticam por fazer concessões aos israelenses, como dos que esperam mais empenho nas reformas administrativas, para coibir a corrupção. Hoje, Arafat acusou o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de minar o processo de paz e de nada fazer para conter a violência. Para Arafat, Sharon utiliza a violência como argumento para manter a ocupação militar dos territórios palestinos. Conflitos isolados Nos territórios, soldados israelenses mataram Baassem Naji, membro do grupo radical Hamas, durante tiroteio perto da colônia judaica de Dugit, na Faixa de Gaza. Em Jenin, na Cisjordânia, dois militares de Israel ficaram feridos numa troca de tiros com palestinos, informou o Exército. Cerca de cem colonos judeus expulsaram hoje os moradores de duas casas no povoado palestino de Luban al-Sharqiyah, na Cisjordânia, e se instalaram nelas. O povoado é vizinho à colônia de Eli, que teve dois moradores mortos num atentado de palestinos no dia 5. Os colonos deixaram as casas depois de negociações com soldados de Israel. Jornalista israelense atacado por soldados de seu país Soldados israelenses dispararam hoje contra um táxi com placas de Israel em que viajavam, na região cisjordaniana de Tulkarem, o conhecido colunista do diário Haaretz Guideon Levy, um fotógrafo e um ativista defensor dos direitos humanos. Nenhum deles ficou ferido. Levy é um crítico mordaz do Exército em seus artigos, nos quais defende o direito dos palestinos à autodeterminação. O jornalista disse que os disparos foram feitos com intenção de matar, quando chegaram a um posto militar. Ele criticou a facilidade com que os soldados abrem fogo, "sem pensar duas vezes". O ministro da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, telefonou a Levy para pedir-lhe desculpas e lhe informou que ordenou a abertura de uma investigação. Ainda hoje, o secretário do governo de Israel, Guideon Saar, acusou o Egito de tentar intrometer-se na política do país ao ter recebido para conversações membros da esquerda israelense, inclusive do Partido Trabalhista (membro da coalizão de governo israelense).

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