Arafat anuncia que ´perdoa´ Sharon

O líder palestino Yasser Arafat pediu, nesta sexta-feira, a retomada das conversações de paz com Israel do ponto em que foram suspensas, em janeiro de 2001, mas também alardeou que seus arsenais estão repletos de armamentos.Em entrevistas a jornais israelenses publicadas nesta sexta, Arafat afirmou que não sente rancor do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que tem dito que Arafat é "irrelevante" e pedido aos Estados Unidos para romper contato com ele, a fim dar oportunidade ao aparecimento de uma liderança palestina alternativa."Perdôo Sharon", teria afirmado ele ao diário Maariv. "Quero enviar a ele uma mensagem de coração: Por favor, Sharon, sentemos juntos à mesa". Nos últimos dois meses, Arafat esteve confinado a seus escritórios na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, por tanques israelenses. Israel insiste em que ele só terá liberdade de movimento depois de reprimir militantes e prender os assassinos de um ministro israelense.O diário Yediot Ahronot escreveu que Arafat deu pouca importância ao cerco e disse que já foi encurralado antes, mencionando a invasão israelense do Líbano em 1982, dirigida por Sharon, que à época era ministro da Defesa, quando Arafat ficou sitiado em Beirute."Eu deveria ficar com medo de alguns tanques do lado de fora da minha janela?", perguntou, e caiu na gargalhada, segundo o jornal. Arafat disse que as negociações de paz devem recomeçar com a última proposta israelense, feita pelo então primeiro-ministro Ehud Barak, que ofereceu um Estado em toda a Faixa de Gaza e em praticamente toda a Cisjordânia, uma ligação por terra entre os dois territórios através de Israel e alguma influência na administração de Jerusalém.Os palestinos não aceitaram o plano, reivindicando um papel maior em Jerusalém e o reconhecimento por parte de Israel do direito de retorno de milhões de refugiados palestinos e seus descendentes a Israel. Depois que as negociações fracassaram, Sharon derrotou Barak na eleição de fevereiro de 2000. Sharon retirou a proposta de Barak com a concordância do mediador das conversações, o então presidente americano Bill Clinton.Arafat disse que os israelenses não têm nada a temer do "direito de retorno" dos refugiados. "Quem virá para a Palestina?", perguntou. "Os palestinos ricos da Arábia Saudita? Os bilionários palestinos da América do Sul?" Ele afirmou esperar que apenas 200.000 refugiados do Líbano queiram voltar, dos 350.000, segundo cálculos de autoridades libanesas.Israel tem concordado em aceitar um pequeno número de refugiados para a reunificação de famílias, mas acredita que os demais deveriam ser reassentados num Estado palestino ou nos países onde atualmente vivem. Arafat voltou a repudiar a violência, mas sugeriu que Israel também está engajado em terrorismo contra civis palestinos."Ataques terroristas são crime em qualquer lugar", afirmou. "Não existe diferença entre os seus bebês e os nossos bebês". E acrescentou: "Acho que os assentamentos são um crime contra a humanidade".Arafat voltou a negar que ele ou a Autoridade Nacional Palestina (ANP) fossem os destinatários de um carregamento de armas encontrado a bordo do cargueiro Karine A, interceptado por comandos israelenses, no mês passado, no Mar Vermelho, e um fator-chave para a reviravolta da política dos EUA contra ele. "Não temos ligação com as armas do navio", garantiu. "É tudo um truque de relações públicas do Mossad (serviço secreto) israelense."Arafat disse que o Irã, de onde teria partido o carregamento, não está querendo lhe dar nem uma bala. Ele acrescentou: "Eu não preciso de armamentos. Nos arsenais que tenho, tenho armas suficientes, muito mais do que existia no navio. Quando fui à Rússia, trouxe comigo 45 veículos blindados numa única viagem".A polícia palestina prendeu um alto funcionário da Autoridade Palestina em conexão com o carregamento de armas, mas a ANP nega envolvimento oficial.

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