Arafat decidiu não participar de cúpula árabe

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, decidiu hoje não participar de uma reunião de cúpula da Liga Árabe, a ser iniciada amanhã na capital libanesa, horas depois de o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, ter imposto novas condições para a viagem do líder palestino."O presidente Arafat decidiu não ir a Beirute e ficar em Ramallah com seu povo", informou o gabinete palestino por meio de um comunicado. "Desta forma, ele não será chantageado nem aceitará condições israelenses, e não assumirá o risco de serem impostas condições a seu retorno."Mais cedo, o governo do presidente egípcio, Hosni Mubarak, anunciou que ele também não participaria da cúpula, que deverá considerar uma proposta de paz saudita. Mubarak também tinha aconselhado Arafat a não participar, irritado com as condições impostas por Israel ao líder palestino.Dez chefes de Estado dos 22 membros da Liga Árabe não comparecerão à cúpula de dois dias. A ausência de Mubarak enfraquece o campo moderado na discussão da proposta saudita, que foi saudada pelos Estados Unidos e que deve ser adotada pelos líderes árabes.O Ministério de Relações Exteriores do Egito anunciou que Mubarak não compareceria devido a "compromissos domésticos" não especificados.A proposta saudita, vazada pelo príncipe-herdeiro Abdullah no mês passado, ofereceria a Israel a normalização total de relações com o mundo árabe em troca da retirada israelense de todos os territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, travada em 1967. Uma proposta de normalização seria a maior oferta feita pelos árabes desde que o processo de paz teve início.Mas nas últimas semanas, Estados árabes mais radicais vinham tentando mudar a oferta para plena paz - vista como um estágio anterior ao de normalização, que contemplaria maiores trocas culturais e comerciais.Ao deixarem o debate sobre a iniciativa saudita para seus líderes, os chanceleres dos países árabes prepararam um esboço de comunicado final mais linha dura. Ele exige a completa retirada israelense dos territórios árabes ocupados, mas fala pouco sobre o tipo de paz que Israel receberia em troca.Qualquer decisão sobre a iniciativa saudita poderá ser acrescida ao esboço, que também trata da questão do Iraque, entre outras, ou apresentada a parte no fim da cúpula.As preparações para a cúpula foram obscurecidas pela questão sobre se Israel iria permitir que Arafat deixasse a cidade de Ramallah, na Cisjordânia, pela primeira vez em meses e ir a Beirute.Apesar da pressão dos Estados Unidos, Sharon impôs hoje mais condições para a viagem de Arafat. Ele disse reservar-se o direito de não permitir a volta de Arafat caso houvesse ataques terroristas na ausência do líder palestino. Israel também exigia que Arafat concordasse com um cessar-fogo mediado pelos EUA para que recebesse a autorização.O Egito considerou que era melhor Arafat ficar em casa."Os israelenses estão jogando com essa questão de se Arafat irá participar", disse o ministro do Exterior Ahmed Maher à rede CNN. "Eles estão tentando impor condições, condições inaceitáveis, e a forma honrosa para Arafat é dizer que não vem, porque isso não depende de decisões de Israel."Numa entrevista ao diário libanês An-Nahar, Mubarak advertiu que se Arafat fosse a Beirute, Sharon iria provocar violência e "destruir os últimos escritórios da Autoridade Palestina e forçá-lo a permacecer no exterior".O Egito, o mais populoso Estado árabe e o primeiro a assinar um acordo de paz com Israel, será representado na cúpula pelo primeiro-ministro Atef Obeid.Também não participarão do encontro os chefes de Estado de Líbia, Iraque, Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Omã, Sudão e Mauritânia.O líder líbio Muammar Khadafi rejeita ofertas de paz a Israel, enquanto o presidente iraquiano, Saddam Hussein, não sai do país há mais de uma década.A Arábia Saudita será representada por Abdullah, pois o rei Fahd, como muitos outros idosos monarcas do Golfo Pérsico, tem problemas de saúde.O esboço do documento final elaborado pelos ministros de Exterior árabes exige uma "completa retirada" por Israel das terras ocupadas desde 1967 e descarta qualquer nova relação com o Estado judeu "à luz da falta de avanço no processo de paz", segundo a Agência de Notícias Nacional do Líbano.Os líderes também criarão um fundo de apoio à Autoridade Palestina, de Arafat, prometendo US$ 55 milhões por mês pelo menos pelos próximos seis meses - o período possivelmente será ampliado se persistir a violência israelense-palestina. Os líderes também contribuirão com US$ 150 milhões para dois outros fundos de apoio aos palestinos.

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