Arafat desafia Israel e diz que irá a Belém

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, confirmou neste domingo que passará o Natal em Belém e, portanto, vai desafiar a decisão do governo israelense de bloquear sua peregrinação anual à cidade onde nasceu Jesus Cristo. Desde que Belém passou para o controle da AP, em 1995, Arafat costuma assistir à Missa do Galo na igreja católica de Santa Catarina, em Belém, na Cisjordânia. Ele declarou hoje que ninguém pode impedi-lo de ir à cidade. Ontem, Arafat, que tem 72 anos, garantiu que iria até lá "nem que fosse a pé". O líder palestino está em Ramallah, sede da AP na Cisjordânia, situada a 20 quilômetros de Belém, ao norte de Jerusalém, e não tem condições de sair do local por causa dos bloqueios militares israelenses. Além do mais, Israel estacionou tanques perto de seu escritório em Ramallah e destruiu seus dois helicópteros particulares no início do mês, num bombardeio contra o território da Faixa de Gaza, depois de um atentado em que grupos palestinos mataram dez colonos judeus na Cisjordânia. Para ir até Belém, Arafat terá de atravessar território montanhoso cisjordaniano sob controle israelense. O gabinete de segurança de Israel proibiu sua passagem, alegando que ele não está tomando medidas para desmantelar as organizações extremistas palestinas. "Este é um exemplo da arrogância da ocupação. É uma humilhação para todo o povo palestino, para os cristãos e muçulmanos", disse o ministro da Informação da AP, Yasser Abed Rabbo. Há cerca de 120 mil palestinos cristãos vivendo em sua maioria em Belém, Beit Jala e outras cidades próximas. A grande maioria da população palestina é muçulmana. Altos funcionários palestinos disseram que diplomatas dos Estados Unidos, da União Européia (UE) e da Organização das Nações Unidas (ONU) estão em contato com autoridades israelenses para convencê-las a remover a proibição. O chanceler belga, Louis Michel - também presidente do Conselho de Ministros da UE -, pediu a Israel que não imponha obstáculos à visita de Arafat à cidade para participar das celebrações do Natal. Semanas atrás, o primeiro-ministro Ariel Sharon desqualificou Arafat como interlocutor, depois de uma onda de atentados suicidas em Israel, mas altos funcionários dos dois lados continuam em contato. Arafat exortou os grupos extremistas a pararem com os ataques aos israelenses e adotou medidas repressivas que levaram os dois mais radicais, o Hamas e a Jihad Islâmica, a anunciar uma trégua na sexta-feira. No entanto, Israel considera as ações de Arafat insuficentes.

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