Arafat diz que retirada é "cosmética"

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, classificou a retirada das tropas israelenses que vinham cercando seu quartel-general de um ?movimento cosmético?. ?Eles estão tentando enganar o Conselho de Segurança?, disse o líder palestino, referindo-se à resolução adotada pelo Conselho de Segurança da ONU que ordenou o fim do cerco. Pouco depois de a retirada ter sido anunciada pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, a bandeira de Israel foi baixada de um dos poucos prédios, nos arredores da base de Arafat, que ainda permanece em pé. Soldados removeram escavadeiras, tanques, rolos de arame farpado e holofotes. Após a partida dos israelenses, soldados palestinos emergiram por entre as ruínas e se abraçaram.Autoridades israelenses disseram que continuarão a fazer buscas por terroristas que, supostamente, encontram-se com Arafat. A Rádio Israel informa que Sharon disse ao Gabinete de Ministros que há 41 suspeitos procurados dentro do QG do líder palestino.?Os suspeitos procurados continuam sendo suspeitos procurados?, disse o ministro israelense do Turismo, Yitzhak Levy. ?Não tenho a menor dúvida de que, assim que um suspeito tentar sair, será capturado por tropas israelenses?.?Que todos saibam que não entregamos, e jamais entregaremos nenhum dos nossos aos israelenses?, disse Arafat. Terje Roed-Larsen, enviado da ONU, entrou no complexo de Arafat logo após a partida das tropas. ?Isso não encerra a crise, mas é um trampolim para nos levar de volta ao processo político? em busca da paz, disse um porta-voz de Larsen.Políticos israelenses referiram-se à decisão de Sharon como uma ?rendição?. Argumenta-se que a operação só serviu para fortalecer Arafat. Israel atacou o complexo de Arafat depois que um terrorista suicida, enviado pelo Hamas, explodiu num ônibus de Tel-Aiv, matando seis israelenses, no último dia 19. Tropas cercaram o quartel-general palestino com veículos blindados, destruíram muitos dos prédios ao redor e exigiram que Arafat entregasse algumas das pessoas abrigadas lá dentro, acusadas de terrorismo.

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