Arafat e Peres começam a discutir trégua

Com o incentivo dos Estados Unidos, o ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, se encontraram hoje no Aeroporto Internacional de Gaza para negociar um fim à violência entre israelenses e palestinos que nesta semana completa um ano de duração. Os dois disseram que retomarão a coordenação da segurança e realizarão todos os esforços possíveis para assegurar o cessar-fogo. Como primeiro gesto, Israel deverá relaxar a segurança em áreas palestinas. O grande teste do princípio de acordo firmado hoje será na sexta-feira, dia em que os palestinos pretendem comemorar um ano de conflito com passeatas na Faixa de Gaza. O encontro entre Peres e Arafat levou cerca de duas horas e meio e se concretizou apesar de palestinos terem detonado uma bomba em um posto militar e deixado três soldados israelenses feridos nesta quarta-feira. Após os ataques, tanques israelenses invadiram o campo de refugiados de Rafah, que fica próximo ao posto militar bombardeado.Um oficial palestino disse, sob condição de anonimato, que ao final da reunião será emitido uma declaração conjunta que estabelecerá um período de uma semana para que uma trégua comece na região e vai levantar algumas restrições impostas por Israel à Faixa de Gaza e à Cisjordânia.Se a trégua se sustentar, Peres e Arafat vão se encontrar mais duas vezes para discutir novas formas de implementar as recomendações feitas pelo Comissão Mitchell, no começo deste ano, sobre como retomar as negociações de paz.Uma das próximas reuniões será realizada no Oriente Médio e a outra, em Nova York.O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, pressionou Arafat e o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para que eles dessem andamento às negociações. Sharon argumenta que Arafat não está fazendo o possível para implementar uma trégua na região e já cancelou dois encontros entre o líder palestino e o ministro israelense.Os Estados Unidos pretendem formar uma coalizão com países árabes moderados para combater o terrorista saudita Osama bin Laden e o Afeganistão, um dos países que abrigam os terroristas.Mas sem um acordo entre palestinos e israelenses, essa coalizão dificilmente seria formada, já que os países árabes moderados condenam os EUA por apoiarem Israel militar e financeiramente contra os palestinos.Sharon, no entanto, permanece cético sobre os esforços de Peres em negociar um cessar-fogo com o líder palestino. Para Sharon, Arafat é um terrorista assumido e não merece confiança.

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