Arafat faz restrições ao novo plano de paz

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, disse nesta segunda-feira que faz "uma série de reservas" com relação a um plano de paz revisado apresentado pelo Quarteto. O chamado Quarteto de mediadores de paz do Oriente Médio tenta obter apoio de israelenses e palestinos para um plano de três fases que culminaria na criação de um Estado palestino soberano e independente em 2005. Entre outras coisas, o plano exige de Israel que pare as construções em assentamentos judaicos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O Quarteto é composto por Estados Unidos, Rússia, União Européia (UE) e Organização das Nações Unidas (ONU). O plano circulou durante diversas semanas. No último fim de semana, israelenses e palestinos receberam uma versão revisada que incorpora alguns de seus comentários iniciais. Um plano final será adotado após as eleições gerais de 28 de janeiro de 2003 em Israel. Em conversa com jornalistas nesta segunda-feira em Ramallah, Arafat revelou estar estudando as novas propostas. "O que nós recebemos não é um esboço final. Ainda temos uma série de reservas", disse ele. "Israel também não o aceitou ainda." Arafat não esclareceu quais pontos do projeto revisado não o agradaram. Os palestinos já haviam informado que aceitavam o plano em princípio. O chamado "guia" para a paz pede reformas internas na ANP, um cessar-fogo entre as partes em conflito e a retirada israelense dos territórios autônomos palestinos na primeira fase. Em 2003, um Estado palestino com fronteiras provisórias seria formado. Começariam então as negociações para um acordo de paz definitivo que levaria à criação de um Estado palestino independente em 2005. Em sua primeira resposta ao plano, Israel reclamou que o documento não ligava claramente os esforços dos palestinos no combate a grupos militantes ao progresso para a fase seguinte. Israel também pretende retardar a entrada em vigor da cláusula que congela construções em assentamentos judaicos, assim como a criação de novas colônias. Raanan Gissin, um conselheiro do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse nesta segunda-feira que, de acordo com a versão revisada, o Estado judeu não terá de retirar seu Exército das cidades palestinas até que um cessar-fogo esteja em vigor. Enquanto isso, o movimento político palestino Fatah, liderado por Arafat, está retomando seus esforços - apoiados pelo Egito - para conseguir que os grupos Hamas e Jihad Islâmica parem de atacar os civis israelenses. O diálogo deverá ser retomado na próxima semana no Cairo.

Agencia Estado,

23 Dezembro 2002 | 16h07

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