Arafat pede a Bush que não mude embaixada para Jerusalém

O líder palestino Yasser Arafat apelou nesta quarta-feira a um de seus mais duros críticos - o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush - para bloquear uma lei aprovada pelo Congresso norte-americano que pede a mudança da embaixada dos EUA de Tel Aviv para a disputada Jerusalém."Isso é uma catástrofe. Não podemos permanecer calados", disse Arafat sobre a medida aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos. Bush assinou a lei, mas a considerou uma recomendação e disse não pretender mudar a embaixada para Jerusalém, onde palestinos planejam estabelecer na parte oriental a capital de um futuro Estado independente.Fatah recuaTambém nesta quarta, o movimento Fatah, de Arafat, abandonou planos de tirar poderes do líder palestino, criando o cargo de primeiro-ministro. A campanha da Fatah vinha sendo o mais sério desafio político a Arafat em anos, mas a idéia foi retirada durante o cerco de 10 dias imposto por Israel ao complexo de Arafat, que terminou no começo desta semana.A Fatah defendia que o primeiro-ministro administraria os assuntos cotidianos do governo. O ministro do Planejamento palestino, Nabil Shaath, destacado membro da Fatah, disse que, numa reunião do Comitê Central do movimento nesta terça-feira, "o consenso dos participantes foi de que o primeiro-ministro deve ser apontado depois do estabelecimento de um Estado palestino e da definição de sua constituição".Questão sensívelA sensível questão da mudança da embaixada dos EUA emerge periodicamente, recebendo invariavelmente duras respostas dos palestinos e dos árabes em geral. Se os EUA mudarem sua embaixada para Jerusalém, seria um reconhecimento da afirmação de Israel de que tem soberania sobre toda a cidade."Isso não pode ser aceito pelos cristãos e pelos muçulmanos" afirmou Arafat em seu devastado complexo de Ramallah, poucos quilômetros ao norte de Jerusalém. "Peço à administração norte-americana e ao presidente norte-americano para não fazerem isso."Bush tem sido um duro crítico de Arafat, dizendo que ele não demonstrou liderança ao não reprimir militantes palestinos nos mais de dois anos de violência contra Israel.Status de JerusalémEntretanto, Bush tem dito que vai manter a antiga política dos EUA em relação a Jerusalém. Os Estados Unidos, como quase toda a comunidade internacional, nunca reconheceram a anexação por Israel de Jerusalém Oriental, que foi capturada da Jordânia na Guerra dos Seis Dias, travada em 1967.Washington afirma que o status final de Jerusalém deve ser determinado em negociações de paz entre israelenses e palestinos. Mas a cláusula relativa a Jerusalém no projeto orçamentário assinado por Bush em lei determina que nenhum dinheiro será gasto em documentos oficiais norte-americanos que não identifiquem Jerusalém como a capital de Israel.Israelenses contestam BlairTambém nesta quarta, autoridades israelenses rechaçaram uma afirmação do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, dando conta de que resoluções da ONU têm de ser respeitadas, sejam as relativas ao Iraque sejam as relativas ao conflito israelense-palestino.Palestinos há muito reclamam que Israel não cumpre resoluções que exigem sua retirada de territórios capturados na guerra de 1967. Blair expressou nesta terça-feira apoio à criação de um Estado palestino "baseado nas fronteiras de 1967".Respondendo a Blair, o ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse que é inevitável o estabelecimento de um Estado palestino, mas só negociações levarão a ele. "Não será uma pressão internacional, não importa o tamanho, que trará a criação de um Estado palestino", disse o ministro.ONU exige fim do cercoNa semana passada, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução exigindo que Israel pusesse fim ao cerco ao QG de Arafat e retirasse suas tropas das cidades palestinas da Cisjordânia que foram ocupadas em junho depois de uma série de atentados suicidas à bomba. No domingo, soldados se afastaram do complexo de Arafat em Ramallah, mas continuaram na cidade, assim como em praticamente todas grandes cidades da Cisjordânia.Desde então, o Exército de Israel expulsou famílias de um prédio em frente ao QG de Arafat e posicionou atiradores de elite no local. Os soldados também tomaram posição no portão de entrada, monitorando todos que entram e saem. Também nesta quarta, militares israelenses explodiram uma residência de dois andares na aldeia de Tamoun, Cisjordânia, onde morava um ativista da Jihad Islâmica acusado de ataques a tiros contra assentamentos judeus. Quinze pessoas ficaram desabrigadas devido à demolição.

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