Arafat prende um dos principais chefes da OLP

A Autoridade Palestina prendeu nesta terça-feira o chefe da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), Ahmed Saadat - um dos principais líderes da Organização de Libertação da Palestina (OLP). Ele é o ativista palestino mais importante preso pela AP desde que seu presidente, Yasser Arafat, ordenou um cessar-fogo em 16 de dezembro. A prisão de Saadat e outros militantes da FPLP é uma das exigências do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para permitir a saída de Arafat da cidade cisjordaniana de Ramallah, onde está confinado desde 3 de dezembro, depois que o Exército de Israel destruiu seus dois helicópteros e cercou a cidade. O governo israelense assinalou que a AP não o informou sobre a prisão. A FPLP, grupo marxista, é responsável pela morte a tiros do ministro israelense de Turismo, o direitista Rehavam Zeevi, num hotel de Jerusalém Oriental em 17 de outubro. Saadat se tornou líder da FPLP em 3 de outubro, depois que o Exército israelense matou em agosto, com um míssil, o dirigente político da organização, Abu Ali Mustafah, em seu escritório em Ramallah. Em represália, a FPLP matou Zeevi. Saadat faz oposição a Arafat. Mais cedo, um israelense-americano de 72 anos e uma mulher israelense foram assassinados na Cisjordânia, abalando ainda mais uma trégua no Oriente Médio que já havia sido duramente prejudicada por diversos focos de violência. Mesmo assim, líderes israelenses e palestinos disseram não ter abandonado um cessar-fogo informal que esteve em vigor durante o último mês - o período de menos violência nos quase 16 meses de confrontos na região. Mas havia ainda alguns sinais ameaçadores de que a trégua estaria se rompendo. Nesta terça-feira, o engenheiro Avi Boaz dirigia seu carro na direção da cidade palestina de Beit Jalla para comprar materiais para uma casa que ele construía em um assentamento judaico na Cisjordânia. Homens armados dispararam 13 tiros contra seu veículo, atingindo a cabeça de Boaz, disse Raanan Gissin, porta-voz do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon. Gissin acusou a polícia palestina de estar por perto quando ocorreu o incidente e não ter feito nada para evitar o crime. Autoridades palestinas confirmaram o assassinato, mas não forneceram detalhes. Boaz morava em Israel havia anos, mas também possuía cidadania norte-americana e viajava constantemente entre os dois países, informaram autoridades israelenses. Poucas horas após este crime, homens armados abriram fogo contra outro carro israelense no qual viajavam mãe e filha nas proximidades de um assentamento judaico na Cisjordânia situado pouco ao norte de Jerusalém, informou o Exército. Uma das mulheres morreu na hora, disseram militares. A outra foi levada a um hospital com um ferimento de bala no peito, disse Yael Bossem-Levy, porta-voz do hospital Hadassah, em Jerusalém. Não estava claro se foi a mãe ou a filha quem morreu. Mais cedo, as duas maiores facções palestinas disseram que respeitarão uma trégua, apesar do cruel assassinato de um chefe miliciano na Cisjordânia com a explosão de uma bomba atribuída a Israel. Mas os partidários do chefe morto, Raed Karmi, responderam à agressão na segunda-feira, horas após a explosão, matando um soldado israelense e ferindo um oficial que havia descido de seu carro blindado para interrogar dois palestinos em um posto de controle. O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse hoje que Karmi morreu em um "acidente de trabalho", sugerindo que ele mesmo havia se matado manipulando explosivos. Mas Ben-Eliezer acrescentou que Israel tinha o direito moral de matar o chefe miliciano que, segundo disse, planejava novos ataques para os próximos dias. A imprensa israelense referiu-se à morte de Karmi como uma "eliminação seletiva". O respeitado diário Haaretz atribuiu a oficiais da Defesa não identificados declarações segundo as quais Israel o matou. Karmi, de 27 anos, era o chefe das Brigadas Al-Aqsa, uma milícia vinculada ao movimento Fatah, do líder palestino Yasser Arafat, na cidade de Tulkarem, na Cisjordânia. Gabava-se de ter matado dois proprietários de um restaurante em Tel-Aviv, enquanto Israel atribui a ele o assassinato de nove israelenses. Em setembro passado, Karmi sobreviveu a um ataque israelense com projéteis contra seu automóvel, no qual morreram outras duas pessoas. Nesta terça-feira, no cortejo fúnebre do chefe miliciano, cerca de 5.000 pessoas desfilaram pelas ruas de Tulkarem e dezenas delas dispararam para o ar. Em reação às advertências de possíveis represálias, Israel voltou a bloquear Tulkarem, impedindo que os palestinos entrem ou saiam da cidade, situada a apenas 20 quilômetros da costa mediterrânea israelense. Os novos episódios de violência jogaram por terra os esforços dos mediadores e não estava claro se o enviado norte-americano Anthony Zinni regressará à região esta semana, como estava previsto.

Agencia Estado,

15 Janeiro 2002 | 19h43

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