Arafat reformula gabinete; Sharon chega a Washington

O líder palestino, Yasser Arafat,anunciou, neste domingo, um novo e reduzido gabinete como parte de umprograma para reformar a Autoridade Palestina, enquanto oprimeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, chegava a Washingtonpara conversar com o presidente americano, George W. Bush. Arafat, sob intensa pressão interna e dos EUA parademocratizar as instituições palestinas, reduziu seu governo de31 para 21 ministros. O ministro de Informação palestino, YasserAbed Rabbo, que anunciou o novo governo hoje na cidadecisjordaniana de Ramallah, indicou que a medida é interina até arealização, em janeiro das eleições presidencial eparlamentares. As eleições municipais serão realizadas nosegundo semestre deste ano. A reestruturação do gabinete incluiu a nomeação de um novoministro do Interior, o general Abdel-Razzak al-Yahya, de 73anos, que comandará uma força de segurança composta por trêsdivisões em vez de nove agências de segurança. "Todos osserviços de segurança palestinos estão sob a supervisão doMinistério do Interior a fim de evitar qualquer sobreposição defunções", disse Rabbo. Israel, que acusa a AP de ajudar os grupos militantes a atacaros israelenses, exigiu a reforma interna como pré-condição paraas negociações de paz. No entanto, um conselheiro de Sharonreagiu friamente à reestruturação. "Se observarmos uma mudança fundamental na conduta das forçasde segurança palestinas, na qual elas interceptem os ataquescontra Israel e não colaborem com eles, saberemos que algoimportante aconteceu", disse Dare Gold, assessor de Sharon. O novo gabinete palestino, com cinco novos ministros e váriasfusões de pastas, se reunirá amanhã. "O objetivo desse novogoverno será a reconstrução do que a ocupação (israelense)destruiu nos últimos meses", disse Rabbo. Arafat também planeja anunciar nos próximos dias umareestruturação das forças de segurança. A reestruturação coincidiu com a chegada de Sharon aWashington, onde ele deverá dizer amanhã a Bush, em seu sextoencontro com o líder americano em pouco mais de um ano, que osatentados palestinos devem terminar antes do reinício doprocesso de paz. O líder israelense, em artigo publicado hoje nojornal The New York Times, afirmou que "Israel deve derrotar oterrorismo, pois não pode negociar sob fogo" Ainda assim, caso a violência cesse e as negociações sejamretomadas, Sharon não acredita que possa ser alcançado agora umacordo final de paz. "A única opção séria... é a baseada num acordo interino delongo prazo que deixe para o futuro questões que não podem serresolvidas no presente", escreveu. Sharon disse contemplar um acordo interino que duraria anos,talvez uma geração. Os palestinos se opõem fortemente à visão,dizendo que querem um acordo final que inclua o mais rápidopossível o estabelecimento de um Estado palestino. Bush se reuniu este fim de semana com o presidente egípcio,Hosni Mubarak, parte de intensos contatos visando pôr fim a 20meses de violência no Oriente Médio e fazer retomar o processode paz. Há vários meses a Liga Árabe endossou uma propostasaudita que contempla a paz com Israel em troca da devolução detodos os territórios árabes ocupados. Mas Sharon, alegando preocupações com a segurança de Israel,disse que o Estado judeu não sairá da Cisjordânia e Faixa deGaza, que capturou na Guerra dos Seis Dias de 1967, ou dividiráJerusalém. "Israel não retornará às vulneráveis linhas dearmistício de 1967", escreveu. Também hoje, a polícia palestina deteve o líder do grupomilitante Jihad Islâmica, que assumiu responsabilidade por umatentado suicida a bomba na semana passada que matou 17israelenses. O xeque Abdullah Shami foi detido na Cidade de Gaza em meio à intensa pressão americana para que a AutoridadePalestina reprima militantes por trás de ataques mortais emIsrael. Mais cedo, cerca de 10 tanques e blindados de deslocamento detropas israelenses invadiram a cidade de Tulkarem, Cisjordânia.Dois palestinos ficaram levemente feridos por disparosisraelenses. O Exército de Israel tem feito incursões quasediárias em áreas palestinas, supostamente em busca demilitantes.

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