Arafat sanciona lei que cria cargo de primeiro-ministro

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, assinou a lei que cria o cargo de primeiro-ministro, horas depois de sua aprovação pelo Parlamento palestino. "A lei está assinada e ratificada e será publicada. Isso significa que o atual governo é agora um governo transitório e que o novo gabinete deverá ser apresentado dentro de três semanas", disse o ministro palestino Saeb Erekat."É o começo de uma transição. Sem dúvida, é um ponto de convergência e uma mudança qualitativa na cultura política. Agora, nós temos uma partilha de poder que está claramente estabelecida", comentou a deputada Hanan Ashrawi. A lei aprovada abre caminho para novas reformas no governo palestino, uma exigência dos Estados Unidos para dar andamento ao processo de paz com Israel.Acredita-se que Arafat vá indicar para o posto de primeiro-ministro o número 2 da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mahmoud Abbas, considerado um moderado. Abbas já se pronunciou contra a intifada, o levante armado contra Israel iniciado há quase dois anos e meio. Mais cedo, o parlamento palestino aprovara, em votação final, a Lei Básica, pela qual foi criado o cargo de primeiro-ministro.A lei aprovada não prevê, no entanto, a ratificação pelo presidente dos indicados pelo primeiro-ministro para ocupar os demais cargos no governo. A emenda, defendida por Arafat, foi retirada por ele após negociações. Ontem, o parlamento vetou a lei por causa desse adendo.Segundo os parlamentares, como o primeiro-ministro é indicado pelo presidente, não há necessidade de que os membros de seu governo recebam aprovação presidencial. Em Washington, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, elogiou a aprovação da lei, mas reclamou que, "aparentemente, o presidente Arafat ainda manterá autoridade sobre segurança e outras questões".Segundo ele, os Estados Unidos querem "ver agora se o primeiro-ministro dispõe da autoridade que nós consideramos suficiente". Num ato de violência ocorrido hoje na Cisjordânia, o Exército de Israel matou Nasser Asida, de 27 anos, no vilarejo de Baka al-Hatab. De acordo com os militares, Asida é um alto comandante da Brigada Qassam, pertencente ao grupo islâmico Hamas.O assassinato ocorreu numa operação de busca promovida por Israel contra supostos militantes palestinos. Asida estava escondido em uma caverna quando o tiroteio começou, disseram testemunhas. Em Belém, outro tiroteio culminou na morte de Ali Alian, também de 27 anos, um líder do Hamas. Um soldado israelense morreu e outro ficou ferido no incidente. Alian é acusado de ter planejado pelo menos três atentados contra israelenses no ano passado. Ele foi prisioneiro de Israel entre 1994 e 1999.

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