Arafat se reúne com enviado dos EUA

O líder palestino Yasser Arafat falou neste sábado com o secretário de Estado Colin Powell, e se reuniu com um enviado americano, um dia antes de o líder palestino trocar consultas com o presidente egípcio Hosni Mubarak, num esforço para pôr fim a 10 meses de conflitos com Israel. As discussões ocorrem em meio ao cessar-fogo de um mês porposto pelos EUA, marcado por episódios sangrentos: desde que foi declarado, em 13 de junho, 24 palestinos e 12 israelenses morreram em diversos confrontos. Hoje, milhares de palestinos desfilaram clamando por vingança contra Israel, durante os funerais de dois militantes islâmicos mortos em incidentes separados na sexta-feira. Colonos judeus e palestinos entraram em choque na cidade dividida de Hebron, na Cisjordânia, depois que atiradores palestinos e soldados israelenses trocaram tiros, disseram testemunhas. Durante o episódio, uma menina palestina de 7 anos ficou ferida e foi hospitalizada, disseram fontes médicas locais. Em um telefonema que durou 15 minutos, Arafat e Powell debateram sobre os acontecimentos na região e os esforços internacionais para pôr fim à violência, afirmou Nabil Aburdeneh, assessor do líder da Autoridade Palestina (AP). Através do enviado americano David Satterfield, do Departamento de Estado, Arafat pediu aos EUA que estabeleçam uma agenda para a implementação do plano de paz recomendado por uma comissão internacional liderada pelo ex-senador americano George Mitchell, segundo o ministro do Gabinete palestino, Saeb Erekat. Ao reunir-se na sexta-feira com Satterfield, Erekat disse que a liderança palestina está muito preocupada com as versões segundo as quais Israel está preparando uma plano de ataque maciço contra a Autoridade Palestina. "O governo americano e os europeus nos informaram que rejeitam o plano militar israelense", disse Erekat. Ao mesmo tempo, um destacado funcionário palestino confirmou que Arafat pretende reunir-se no domingo com o presidente egípcio Hosmi Mubarak, no Cairo. O anúncio gerou especulações nos meios israelenses sobre um encontro entre Arafat e o ministro do Exterior israelense, Shimon Peres, que também marcou um encontro com Mubarak no domingo. Em Washington, o subsecretário de Estado Richard Armitage afirmou na sexta-feira que o governo do presidente George W. Bush não tinha conhecimento de nenhum plano de Israel para lançar uma ofensiva contra a AP. Após 10 meses de confrontos, os israelenses têm debatido a possibilidade de uma invasão militar, e alguns políticos e oficiais confirmaram que o Exército preparou planos para intensificar o uso da froça. No entanto, a perda de vidas e a possibilidade de um conflito maior estão levando o governo a colocar essa estratégia em banho-maria.

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