Arafat teria sido envenenado, diz Al-Jazeera

Uma investigação da rede árabe de TV Al-Jazeera fez voltar à tona rumores de que Yasser Arafat, histórico líder palestino, não morreu de causas naturais, mas foi assassinado por envenenamento, há oito anos.

RAMALLAH, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h04

Um exame em laboratório feito a pedido da emissora encontrou traços de polônio, substância altamente radioativa, em objetos pessoais de Arafat - roupas, escova de dentes e no seu keffieh, lenço tradicional que ele transformou no símbolo da causa palestina.

Segundo o Institut de Radiophysique, laboratório onde foram realizados os testes, na Suíça, Arafat tinha uma quantidade anormal de polônio dentro de seu corpo quando morreu, em um hospital militar na periferia de Paris. Pouco antes de morrer, ele passou semanas sob cerco de tanques israelenses em seu escritório, em Ramallah.

Testemunhas afirmam que Arafat estava bem de saúde, mas, subitamente, caiu doente. O chefe e fundador da Autoridade Palestina foi transferido às pressas para a França. Vários testes foram realizados pela equipe médica em Paris, mas nenhum indicou que Arafat tivesse sido envenenado. As causas da morte tampouco foram esclarecidas, entre as especulações estão as de que ele tinha câncer ou mesmo aids.

"Posso confirmar que detectamos uma quantidade inexplicavelmente alta de polônio-210 nos objetos de Arafat, que contêm traços de fluídos biológicos", afirmou ontem François Bochud, diretor do laboratório suíço. Os objetos analisados por Bochud foram entregues à Al-Jazeera por Suha, viúva de Arafat.

Em 2010, um de seus seguranças, Imad Abu Zaki, que trabalhou para Arafat de 1988 até sua morte, afirmou em entrevista que Arafat morreu envenenado, mas não por uma substância colocada em sua comida. / AP

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