GABRIELA BILO / ESTADAO
GABRIELA BILO / ESTADAO

Araújo diz que visita de Pompeo não serviu de palanque eleitoral para Trump

Chanceler foi chamado a prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre a visita do Secretário de Estado dos EUA a Roraima

Marlla Sabino / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 12h43

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira, 24, que a visita a Roraima do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, não serviu de plataforma eleitoral para o presidente americano Donald Trump, que tenta a reeleição em novembro.

Araújo participou de sessão da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, que o convidou para explicar a visita, na última sexta-feira, 18.

Roraima faz fronteira com a Venezuela e é foco de uma operação do governo brasileiro, apoiada pelos EUA, para acolhimento de venezuelanos que deixam o país governado por Nicolás Maduro.

Araújo discordou das críticas à visita de Pompeo. A embaixada americana no Brasil informou que a visita do secretário teve por objetivo discutir com o chanceler brasileiro a imigração venezuelana na região.

A visita, que ocorre em meio à campanha presidencial nos EUA, foi alvo de críticas de parlamentares, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou que a conduta do governo brasileiro no episódio não “condiz com a boa prática diplomática internacional” e afronta as políticas brasileiras externa e de defesa.

Nas três horas em que esteve em Boa Vista, ao lado de Araújo, Pompeo conheceu as instalações da Operação Acolhida, que recebe imigrantes venezuelanos, e endureceu o discurso contra o presidente Nicolás Maduro, a quem chamou de "narcotraficante". 

O chanceler brasileiro divergiu de comentários sobre o uso eleitoral da visita ao Brasil, a fim de criticar o governo venezuelano em momento de corrida presidencial.

Araújo argumentou que há uma “grande convergência” entre republicanos e democratas nos EUA sobre como se posicionar em relação à Venezuela – o país e o Brasil estão entre as nações que não reconhecem o governo de Maduro e consideram o opositor Juan Guaidó como presidente.

"Foi dito, e talvez seja uma das críticas principais à visita do secretário Mike Pompeo, que ela foi uma plataforma eleitoral para as eleições de novembro nos EUA. Bem, não é assim. Um dos elementos que mostra que não é assim é que existe nos Estados Unidos uma grande convergência entre republicanos e democratas sobre a situação na Venezuela", disse Araújo.

Para o chanceler brasileiro, “tudo indica” que a posição dos EUA em relação à Venezuela e ao governo Maduro não mudará com uma eventual vitória da oposição, cujo candidato é o democrata Joe Biden.

“Não faz muito sentido pensar nisso como uma plataforma eleitoral, já que não há diferença substantiva entre posição de republicanos e democratas em relação à Venezuela. Ou seja, tudo indica que, se houver uma vitória democrata nas eleições de novembro, a atitude norte-americana para a Venezuela continuará exatamente a mesma”, disse Araújo.

Araújo foi questionado pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) se o Brasil está preparado para o risco de uma derrota de Trump - o presidente Jair Bolsonaro é um admirador de Trump e não esconde a torcida pela vitória dele na eleição.

O chanceler disse que uma eventual vitória de Biden não trará mudanças nas relações entre os dois países.

"Não é fato que a proximidade do Brasil seja com Trump, e não com os EUA. Isso é uma interpretação, um direito da senhora, mas é ao contrário. Tudo o que estamos fazendo com os EUA tenho certeza que é de interesse permanente para os dois países. Um governo democrata, provavelmente, manteria esse mesmo enfoque, a menos que queiram trabalhar contra os seus próprios interesses, que tenho certeza que não seria o caso".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.