Arbour pede firmeza a próximo chefe de Direitos Humanos da ONU

Louise Arbour, alta comissária deDireitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU),afirmou nesta sexta-feira, dia em que confirmou sua saída docargo em junho, que seu sucessor precisará realizar denúnciascontundentes pelo mundo apesar das pressões políticas. "Temos de nos empenhar para dar apoio àqueles cujaobrigação é garantir a observância desses direitos. Isso nãotorna mais confortável a posição do alto comissário, menossujeita a críticas -- na verdade, é o contrário", afirmouArbour a jornalistas, antes de confirmar sua saída diante doConselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, um órgãocomposto por 47 países-membros. O gabinete de Arbour mantém representantes em 47 países eresponde por quase 400 observadores em missões de paz da ONUque atuam em locais de conflito, como a República Democráticado Congo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, precisa escolher osucessor de Arbour, nome que a Assembléia Geral tem, então, deaprovar. A sinceridade sem meias palavras de Arbour levantoucríticas no mundo todo, mas a alta comissária disse considerarisso "inevitável." "Eu tendo a fazer uma distinção entre as críticas quepossuem alguma validade, especialmente as feitas com boa fé, eaquelas que, geralmente, não possuem muito respaldo", afirmou. "Não estou deixando meu cargo por causa dessas pressões.Pelo contrário, tenho que resistir a tentação de continuar paraenfrentá-las", disse Arbour a repórteres. "Vou deixar o cargo devido a razões pessoais. Não estoupreparada para me comprometer por mais quatro anos com essetrabalho. Tenho uma família e, nesse cargo, fico trabalhando eviajando o tempo todo", afirmou. "Eu vou deixar o cargo,basicamente, para poder voltar para casa." O gabinete de Arbour é um órgão independente, mas trabalhade forma coordenada com o Conselho de Direitos Humanos dasNações Unidas, que, segundo muitos observadores, tornou-se tãoarbitrário quanto a desacreditada Comissão dos Direitos Humanosdas Nações Unidas, entidade que o conselho substituiu. Os países islâmicos e africanos, frequentemente com o apoioda Rússia, da China e de Cuba, formam um bloco majoritáriodentro do conselho. Os EUA e outros países dizem que o órgãocostuma condenar Israel ao passo que ignora os abusoscometidos, por exemplo, em Cuba, Sudão e Zimbábue. (Reportagem adicional de Robert Evans)

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