EFE/Peter Lorimer
EFE/Peter Lorimer

Arcebispo australiano se afasta do cargo após acusação de encobrir pedofilia

Philip Wilson foi considerado culpado de encobrir os abusos sexuais cometidos pelo falecido sacerdote James Fletcher, na década de 1970

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 02h56

SYDNEY - O arcebispo de Adelaide, Philip Wilson, anunciou nesta quarta-feira, 23, que está se afastando do cargo temporariamente, um dia após ter sido considerado culpado por um tribunal da Austrália por encobrir um padre pedófilo há mais de 40 anos.

"Se em qualquer momento parecer necessário ou apropriado tomar outras medidas formais, incluindo a renúncia da Arquidiocese, então eu farei isso", disse Wilson, em comunicado.

O religioso indicou que a sua decisão será implementada na próxima sexta-feira, 25, e que foi adotada após consultar sua equipe jurídica.

Na terça-feira, 22, o juiz Robert Stone, do tribunal de Newcastle, determinou que Wilson é culpado de encobrir os abusos sexuais cometidos pelo falecido sacerdote James Fletcher, na década de 1970, por não ter relatado as denúncias das vítimas para a polícia.

Wilson, de 67 anos, e membro mais alto da Igreja Católica do mundo acusado de um crime de ocultação de abuso sexual de menores, enfrenta uma pena máxima de dois anos de prisão, cuja sentença será anunciada no dia 19 de junho. O arcebispo foi acusado após uma vasta investigação policial que revelou vários casos de encobrimento de antigos e atuais clérigos da diocese de Maitland-Newcastle, no estado de Nova Gales do Sul.

O caso contra Wilson se concentrou na sua ocultação dos abusos cometidos por Fletcher contra dois coroinhas quando o agora arcebispo era assistente do padre pedófilo na paróquia de East Maitland. Em 1976, as duas vítimas denunciaram para Wilson os abusos que sofreram de Fletcher, que foi condenado em 2004 de nove acusações de abusos sexuais e morreu na prisão 13 meses depois.

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Segundo o juiz, o arcebispo preferiu "proteger a igreja e sua imagem" ao invés de denunciar Flecther.

A defesa de Wilson, que possui um marcapasso e que foi diagnosticado recentemente com mal de Alzheimer, argumentou que o clérigo nunca deveria ser processado por encobrimento, pois naquela época as ofensas eram consideradas "atos indecentes" e não crimes.

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A Igreja Católica, com forte presença na Austrália, recebeu queixas de 4,5 mil pessoas por supostos abusos a menores cometidos por cerca de 1.880 membros desta instituição entre 1980 e 2015, embora alguns casos sejam da década de 1920. /EFE

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