Carlos Eduardo Ramírez / Reuters
Carlos Eduardo Ramírez / Reuters

Área fronteiriça tem deportações e tensão

Apesar de não haver toque de recolher oficial, moradores de cidades em emergência evitam circular ao anoitecer

Roberto Lameirinhas ENVIADO ESPECIAL / CARACAS , O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 02h00

Fechada desde quinta-feira, a fronteira entre Venezuela e Colômbia amanheceu ontem com boa parte dos municípios sob estado de emergência, decretado no sábado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro. 

Embora não haja oficialmente um toque de recolher, testemunhas na região de San Antonio de Táchira – cidade vizinha da colombiana Cúcuta – afirmam que praticamente não há movimento de civis nas ruas após o anoitecer e a área segue fortemente militarizada.

Entre as garantias constitucionais restritas pelo estado de exceção estão a de inviolabilidade de domicílio, sigilo de comunicações privadas, livre trânsito e direito de reunião e manifestação política. Segundo o governo de Caracas, a medida tem como objetivo tornar viáveis as operações policiais com o objetivo de conter a ação de “grupos paramilitares terroristas”, que estariam lançando ofensivas para sabotar o regime chavista. 

O vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza, informou que soldados e policiais efetuaram até ontem 10 prisões, deportaram 791 colombianos em situação ilegal no país, desmontaram lugares destinados a armazenar mercadorias para o fim de contrabando, apreenderam grande quantidade de explosivos e desbarataram pelo menos um cativeiro usado por sequestradores.

As chanceleres de Venezuela e Colômbia, Delcy Rodríguez e María Ángela Holguín, devem se reunir amanhã para discutir ações conjuntas de combate às irregularidades na fronteira. O governo do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, voltou a pedir ontem aos agentes venezuelanos que não violem os direitos humanos de cidadãos da Colômbia que sejam detidos ou deportados.

Segundo o governo de Caracas, casos humanitários – como os de pessoas que necessitem atravessar a fronteira para realizar hemodiálise ou outros tratamentos médicos – têm sido analisados pelas autoridades. 

No fim de semana, Maduro havia declarado que o fechamento da fronteira seria mantido até que a situação de violência e contrabando na região fosse controlada.

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