Áreas perto de reatores nucleares no Japão começam a opinar sobre reativação

Como parte de um plano para reativar a indústria nuclear, o Japão deu início a uma polêmica consulta com pessoas que moram perto de reatores desativados, processo que tem sido criticado por não ouvir a todos nas regiões envolvidas.

KENTARO HAMADA, REUTERS

10 de outubro de 2014 | 12h23

Mais de um ano após o último reator japonês ter sido desligado em decorrência do desastre de Fukushima em 2011, autoridades começaram na quinta-feira uma série de reuniões em prefeituras para explicar o processo de aprovação que liberou a reativação da usina de Sendai, no sudoeste do país.

Mas autoridades locais estabeleceram rígidas condições para a primeira reunião em Satsumasendai, cidade costeira de 98 mil habitante, a 1.000 quilômetros de Tóquio e que sedia dois reatores em uma usina da companhia Kyushi Electric Power.

"Como vimos em Fukushima, uma vez que haja um acidente, o impacto é sentido em uma grande região", disse Makoto Matsuzaki, uma legisladora antinuclear do município de Kagoshima, no qual Satsumasendai está localizada.

"Eles enfrentam todos os riscos, mas não têm direitos nem poder de decisão", disse a membro do Partido Comunista Japonês. "É como ser submetido a uma cirurgia arriscada em um hospital sem ter dado consentimento."

Mais de 160 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas após o triplo derretimento de reatores em Fukushima, o pior acidente nuclear desde Chernobyl. As cidades ao redor da usina da companhia Tokyo Electric Power continuam com acesso vedado.

O governo do primeiro-ministro Shinzo Abe deseja reativar os reatores depois de passarem por checagens de segurança mais rigorosas, impostas depois do desastre de Fukushima.

O Japão precisa importar combustíveis fósseis caros para substituir a energia produzida pelas 48 usinas nucleares do país, que costumavam fornecer 30 por cento da energia do Japão.

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