Areia do deserto de Gobi continua sufocando Pequim

Pequim continua nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, coberta por uma densa camada de areia do deserto do Gobi, o que aumenta a poluição atmosférica e dificulta a respiração dos moradores da capital da China. Várias pessoas utilizam máscaras na tentativa de se proteger. As autoridades recomendaram que a população saia de casa o menos possível, principalmente pessoas com problemas respiratórios, idosos e crianças, já que a poluição alcançou o nível 5, o máximo, e foi registrado um aumento de 20% nas consultas médicas motivadas por doenças respiratórias. A falta de chuva - apenas chuviscou ligeiramente durante a noite - impede também a dispersão da areia no ar. Segundo as autoridades, a situação se manterá também amanhã, agravada pela grande quantidade de pólen presente no ambiente desde a chegada da primavera. Ruas, telhados e automóveis estão, desde o domingo, cobertos por uma camada de areia que dá à cidade um aspecto dourado em meio à escuridão causada pela da espessa névoa. A Prefeitura ordenou a limpeza, com água, de cerca de 500 avenidas e ruas, e a suspensão de escavações nas obras e do transporte de areia para os trabalhos de infra-estrutura. Desertificação Ventos de até 6 graus - em uma escala até 9 segundo a medição utilizada na China - transportaram novamente, durante a noite anterior, areia do deserto de Gobi vinda da Mongólia, da região autônoma da Mongólia Interior chinesa e da província de Gansu, no noroeste do país. Nessas regiões, o vento alcançou 30 metros por segundo, de acordo com o Beijing Morning Post, que destacou que Pequim sofre, atualmente, cerca de seis tempestades de areia por ano, número mais elevado dos últimos trinta anos. Um meteorologista declarou ao jornal Novo Pequim que "desta vez, as tempestades transportam partículas grandes" de areia, o que tornou o fenômeno visível. "Trata-se da sétima vez que isso ocorre desde o início da primavera. É a incidência mais grave dos últimos anos", acrescentou, referindo-se ao problema da poluição da capital chinesa causada pela desertificação de uma região situada a cerca de 500 quilômetros de distância. Segundo Wang Xiaoming, encarregado do escritório municipal de meio ambiente de Pequim, as partículas que flutuam no ar de Pequim há dois dias são 10 vezes maiores (0,1 milímetro) que a poeira habitual.

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