Zohra Bensemra/Reuters
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Argélia autoriza criação de partidos para eleições parlamentares

É a primeira vez em mais de uma década que legendas poderão ser fundadas no país africano

Reuters

24 de janeiro de 2012 | 17h50

ARGEL - O governo da Argélia autorizou nesta terça-feira, 24, a criação de partidos políticos par as eleições parlamentares que ocorrerão em maio. É a primeira vez que organizações partidárias poderão ser fundadas em mais de uma década. A medida é resultados das reformas conduzidas pelo presidente Abdelaziz Bouteflika ante os protestos que irromperam no país e na região do norte da África.

 

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O Ministério do Interior anunciou ter dado luz verde para que dez organizações se registrem oficialmente como partidos, o que deve ser feito para que tais entidades disputem as eleições. "Agimos para que o máximo de partidos possível pudesse seguir em frente", disse o ministro do Interior Daho Ould Kablia à agência estatal.

 

É a primeira vez desde 1999 que novos partidos são registrados na Argélia. Entre as várias legendas autorizadas estão grupos islâmicos moderados, uma tendência entre os países que vivenciaram protestos na Primavera árabe.

 

Críticos do governo, porém, dizem que muitos dos partidos são próximos das autoridades, mas a Frente Islâmica para a Justiça se apresenta como um grande adversário das entidades dominantes, como a Frente da Libertação Nacional, que atualmente controla o Parlamento e tem sido a força dominante desde a independência argelina.

 

No ano passado, Bouteflika anunciou uma série de reformas em resposta aos protestos que ameaçaram tomar o país como ocorreu na Tunísia, no Egito e na Líbia. Ele ordenou o fim do estado de emergência que já durava quase duas décadas e prometeu acabar com o monopólio do Estado sobre a imprensa. Opositores, porém, afirmam que as elites que estão no poder não dão sinais de abertura. 

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