AP/Arquivo
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Argélia defende decisão de receber família de Kadafi

Governo argelino alegou que os parentes de Kadafi recebidos não integram lista de procurados

BBC Brasil, BBC

30 de agosto de 2011 | 07h06

ARGEL - O representante da Argélia na Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu nesta terça-feira, 30, a decisão de seu país de receber a mulher e três filhos do líder líbio foragido Muamar Kadafi.

 

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Em entrevista à BBC, o representante argelino Mourad Benmehidi disse que existe na região uma ''regra sagrada de hospitalidade''. O governo argelino afirmou que a decisão se deu por razões humanitárias e que os familiares de Kadafi que a Argélia concordou em receber não se encontram em listas de procurados.

 

Um porta-voz rebelde disse que a decisão foi ''um ato de agressão contra o povo líbio'' e afirmou que serão usados todos os meios legais para obrigá-los a regressar à Líbia.

 

Decisão

 

O governo da Argélia informou na segunda-feira que integrantes da família de Muamar Kadafi estavam no país. A localização de Kadafi, no entanto, permanece desconhecida. Em uma declaração divulgada pela agência de notícias estatal argelina, a APS, o Ministério do Exterior da Argélia afirmou que a mulher de Kadafi e três de seus filhos cruzaram a fronteira vindos da Líbia na manhã de segunda-feira.

Entre os familiares do líder líbio que conseguiram entrar na Argélia estão a esposa Safia, a filha Ayesha, o filho mais velho, Hannibal, e seu irmão Muhammad, que teria escapado depois de se entregar às forças rebeldes em Trípoli.

 

No entanto, o Ministério não deu informações sobre o paradeiro de Muamar Kadafi, que continua desconhecido desde que os rebeldes tomaram a maior parte da capital líbia na semana passada.

Jon Leyne, repórter da BBC que está em Benghazi, leste da Líbia, afirmou que os primeiros rumores de que a família de Kadafi tinha saído da Líbia foram divulgados pelos rebeldes durante o final de semana. Naquela ocasião, as autoridades argelinas negaram que um comboio tivesse cruzado a fronteira entre os dois países.

 

Também na segunda-feira, um canal de TV ligado aos rebeldes afirmou que outro filho de Kadafi, Khamis, teria sido morto. A informação não pôde ser confirmada de maneira independente.

Otan

A notícia sobre o paradeiro da família de Kadafi foi divulgada em um momento em que as forças rebeldes da Líbia ainda tentam derrotar o que restou das forças leais a Kadafi. Os rebeldes continuam os preparativos para um ataque contra a última área em poder das forças leais a Kadafi, a cidade de Sirte.

Os líderes do movimento rebelde fizeram uma proposta de cessar-fogo de 48 horas, devido ao feriado muçulmano do Eid e, segundo um correspondente da BBC, muitos rebeldes têm familiares vivendo em Sirte e afirmaram que vão fazer de tudo para evitar derramamento de sangue.

Os comandantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmaram nesta segunda-feira que a campanha aérea contra as forças leais a Muamar Kadafi deve continuar, pois a guerra na Líbia está longe do fim. Em uma declaração divulgada depois de uma reunião no Catar, os comandantes da aliança prometeram continuar com os bombardeios contra o que resta das forças de Kadafi.

 

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Texto corrigido às 8h56

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