Argélia localiza mais corpos dentro de campo de gás

Esquadrões antibomba da Argélia encontraram no domingo mais corpos dentro do campo de gás natural onde militantes islâmicos mantiveram dezenas de reféns até ontem, afirmou uma autoridade das forças de segurança nacionais, que examinavam o local em busca de armadilhas explosivas. No sábado, uma ofensiva encerrou o cerco de quatro dias ao complexo.

AE, Agência Estado

20 de janeiro de 2013 | 16h25

O oficial, que falou sob condição de anonimato, disse que os corpos estavam desfigurados e que era difícil identificá-los. "Podem ser tanto argelinos quanto de reféns estrangeiros", relatou. Não foi informado o número de corpos encontrados no local.

Forças especiais argelinas invadiram no sábado o complexo de gás Amenas Ain no deserto do Saara para acabar com o impasse. Militantes islâmicos haviam atacado o complexo na quarta-feira. Na quinta, a maioria dos reféns foi libertada quando a Argélia lançou uma primeira operação de resgate. O governo da Argélia informou que todos os 32 militantes foram mortos.

Mais cedo, o ministro das Comunicações da Argélia, Mohamed Said, disse temer que o número de mortos após o confronto que pôs fim ao cerco ainda pudesse crescer dependendo dos resultados das buscas no local. Números preliminares indicam que 23 reféns morreram.

Segundo Said, os militantes vinham de seis países e foram armados para causar destruição máxima. A Sonatrach, empresa petrolífera argelina que controla o Amenas Ain, em parceria com a BP e a Statoil, afirmou que haviam sido instaladas minas em toda a refinaria. "Eles haviam decidido ter êxito na operação como o planejado, explodindo o complexo de gás e matando todos os reféns", afirmou o ministro, em entrevista à rádio estatal.

O governo norte-americano alertou que havia ameaças críveis de novas tentativas de sequestro de ocidentais no país. Com poucos detalhes sobre a situação no campo, não estava claro se alguém foi resgatado na operação final realizada no sábado, mas o número de reféns mortos ontem - sete - era o mesmo que os militantes haviam relatado pela manhã estarem detidos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmou hoje que três britânicos morreram no cerco. Acredita-se que outros três, além de um residente do Reino Unido, estejam mortos, mas ainda não há confirmação. "Agora, é claro, as pessoas vão questionar a resposta da Argélia a esses eventos, mas gostaria apenas de dizer que a responsabilidade por essas mortes encontra-se diretamente com os terroristas que lançaram um cruel e covarde ataque", afirmou Cameron.

O Japão informou que dez cidadãos ainda estão desaparecidos. Uma testemunha argelina, que se identificou como Brahim, informou à agência AFP que nove japoneses haviam sido executados. Em Tóquio, um funcionário do ministério das Relações Exteriores disse que o órgão havia adotado uma postura "de não comentar esse tipo de informação".

Cinco noruegueses e dois malaios também não foram localizados até o momento. O governo das Filipinas disse hoje que contabilizou 52 cidadãos na crise dos reféns, mas afirmou não saber se algum filipino estava entre os mortos. Dos 52 contabilizados, 39 chegariam à capital, Manila, no domingo. As autoridades não confirmaram quantos filipinos estavam trabalhando na fábrica. Segundo fontes oficiais, pelo menos um argelino foi morto.

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, François Hollande, atribuíram a responsabilidade pelas mortes a "terroristas" islâmicos. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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