Argélia reprime protesto por reformas e detém 400 ativistas

Milhares de pessoas se manifestaram em Argel contra o regime de Abdelaziz Bouteflika, que está no poder desde 1999

, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

Mais de 400 pessoas foram presas ontem, em Argel, na Argélia, durante um protesto em favor da democracia. A manifestação, organizada pela Coordenação para a Mudança Democrática na Argélia, movimento que agrupa organizações de direitos humanos, ativistas, sindicalistas e advogados, tinha por objetivo exigir reformas no governo do presidente Abdelaziz Bouteflika, que se mantém no comando do país desde 1999. Para os organizadores, cerca de 10 mil pessoas participaram do protesto. Fontes do governo, porém, afirmavam que apenas 1,5 mil manifestantes saíram às ruas da capital argelina.

Segundo Yahia Abdenour, dirigente da Liga Argelina pela Defesa dos Direitos Humanos, havia mulheres e jornalistas estrangeiros entre as pessoas detidas. O ativista diz que cerca de 28 mil policiais bloquearam a marcha e dispersaram a multidão, que entoava frases como "Não ao estado policial" e "Fora Bouteflika".

Desde 1992, quando foi decretado o estado de emergência que segue vigente no país até hoje, protestos em Argel não são permitidos. Mas as advertências do governo sobre a proibição de concentrações de pessoas nas ruas não vêm sendo levadas em conta pela população.

O protesto aconteceu logo após o êxito de movimentos populares semelhantes no Egito e na Tunísia - que levaram à queda dos presidentes Hosni Mubarak e Zine El Abidine Ben Ali, respectivamente. A manifestação, porém, não tinha como motivação central exigir a saída de Bouteflika - ainda que muitos manifestantes demonstrassem essa vontade -, mas pedir mudanças democráticas no regime.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.