Argélia teme volta do pesadelo da guerra dos anos 1990

Após os recentes ataques a bomba em seu país, os primeiros em anos, os argelinos manifestaram nesta quinta-feira, 12, o medo de uma crise parecida com o derramamento de sangue dos anos 1990 e impuseram um alerta para novos atentados. "Achávamos que os dias de terror tinham acabado. Ainda estou em choque. Estou com medo", disse Mohamed Rabhi, um jovem estudante no centro de Argel. O ministro do Interior, Nourredine Yazid Zerhouni, disse ser possível que os ataques suicidas que mataram 33 pessoas na capital na quarta-feira tivessem como objetivo atrapalhar as eleições parlamentares de 17 de maio e acabar com os esforços para pôr um fim definitivo à violência política. "Não devemos descartar a possibilidade de que outros interesses possam não querer ver o Estado argelino se recuperando, se reconstruindo e funcionando", disse ele, sem entrar em detalhes. A Organização Al-Qaeda no Magreb Islâmico assumiu a autoria dos ataques a bomba. Não tinha sido possível confirmar a autenticidade da declaração, mas o grupo já reivindicou a responsabilidade por vários ataques desde janeiro. A polícia aumentou o patrulhamento e criou postos de fiscalização na cidade, que tem cerca de 3 milhões de habitantes. Muita gente teme a repetição do caos dos anos 1990, quando dezenas de milhares de rebeldes islamitas lutavam contra as forças de segurança no país exportador de petróleo, o que resultou em cerca de 200 mil mortes. "O medo está de volta", disse um homem de 60 anos. "Pedi ao meu irmão que tome cuidado quando usar o transporte público. Nunca se sabe." O jornal Echorouk informou que um Mercedes com 500 kg de explosivos foi encontrado pela polícia na quarta-feira, perto da casa de uma autoridade policial. Não havia declarações oficiais sobre o caso. Houve quem acusasse o governo de responsabilidade indireta pela tragédia de quarta-feira, afirmando que as autoridades foram amenas demais com os rebeldes islâmicos.

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