Argelino deveria atacar embaixada dos EUA em Paris

Interrogado por mais de onze horas seguidas pelo juiz anti-terrorista francês Jean-Louis Bruguière, o franco-argelino Djamel Beghal confirmou e detalhou a missão recebida no Quartel General de Osama bin Landen no Afeganistão. Beghal foi encarregado de organizar uma série de atentados suicidas contra interesses norte-americanos na França e integrava uma rede montada por Bin Laden para realizar numerosos atentados na Europa. Na capital francesa, os dois alvos principais dos terroristas eram os prédios da Embaixada dos EUA, na Place de la Concorde, junto ao Hotel Crillon, e do Centro Cultural Americano de Paris, no Boulevard Raspail. Um ex-jogador de futebol, Nizar Trabelsi, que chegou a atuar no Fortuna de Dusseldorf, na Alemanha, e atualmente encontra-se preso em Bruxelas, estava encarregado de ingressar na embaixada com um cinturão de explosivos, a exemplo dos atentados que têm sido praticados em Israel. Outro membro da rede deveria dirigir um caminhão carregado de explosivos lançando o veículo sobre o edifício do centro cultural. Djamel Beghal passou as informações graças ao trabalho psicológico feito anteriormente por religiosos islâmicos. Durante vários dias seguidos ele recebeu na prisão, em Dubai, a visita desses religiosos que o submeteram a uma verdadeira lavagem cerebral e acabaram convencendo-o de que o Islã não é o terrorismo e a violência, fazendo com que ele renunciasse à sua adesão ao grupo Al-Qaeda de Osama bin Laden. No sul do Afeganistão, em Khandar, ele foi convocado por Abou Zoubeida, encarregado da formação no grupo Al-Qaeda, que disse ter chegado a hora de agir e que sua missão seria a de explodir a embaixada norte-americana em Paris. No mesmo momento, ele ofereceu a Beghal três presentes pessoais de Osama bin Laden. Essa confissão permitiu que a polícia francesa prendesse onze elementos da organização, alguns responsáveis pela logística, sendo que sete já foram indiciados pela justiça por "associação com atividades terroristas". Outros foram presos na Holanda e Bélgica. Um deles, também franco-argelino, Kamel Daoudi, conseguiu fugir para a Inglaterra, mas foi preso e expulso para a França. Esse especialista em informática era tido como representante de Osama bin Laden e ocupou, durante um período, o apartamento de Djamel Beghal nos subúrbios de Paris. A DST, serviço de contra-espionagem francês, investiga também uma eventual ramificação da rede na Mauritânia. A polícia desse país deteve para averiguações, a pedido dos franceses e dos norte-americanos, Mouhamedou Ould Slahi, um engenheiro em telecomunicações de 31 anos, suspeito de manter relações com a organização de Osama bin Laden. Ele já havia sido preso no aeroporto de Dakar, em janeiro do ano 2000, sob suspeita de participação em um projeto de atentado nos EUA. Transferido para a Mauritânia, acabou sendo solto um mês depois por falta de provas suficientes.

Agencia Estado,

02 Outubro 2001 | 11h42

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