Argelinos vão a almoço em protesto contra Ramadã

Cerca de 300 pessoas participaram neste sábado (3) de um almoço público em uma região rebelde no norte da Argélia para protestar contra o que dizem ser uma perseguição aos que se recusam a cumprir o jejum religioso do Ramadã. A manifestação foi algo incomum para o norte da África, onde as pessoas podem ser presas por não jejuarem durante o mês sagrado muçulmano.

ASSOCIATED PRESS, Agência Estado

03 Agosto 2013 | 18h41

O protesto foi organizado contra a decisão das forças de segurança de repreender três jovens que estavam comendo na rua na semana passada na região de Kabylie durante o período de jejum diário de 18 horas.

"Nós convocamos esse encontro para denunciar a inquisição e perseguição de cidadãos que, por causa de suas crenças, se recusaram a cumprir o jejum", esclareceu Bouaziz Ait Chebib, diretor do Movimento Autonomia de Kabylie.

Os berberes de Kabylie são conhecidos por sua visão mais secular que a maioria árabe da Argélia e por terem uma relação historicamente tensa com o governo argelino. Nos últimos anos, moradores da região que se recusaram a cumprir o jejum do Ramadã enfrentaram a acusação de "agir contra o Islã."

O almoço público realizado em Tizi-Ouzou, cerca de 100 quilômetros distante de Argel, não foi contestado nem pelas autoridades nem pelos muçulmanos da região.

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