Argentina: 30 anos após o golpe, 204 repressores estão presos

Quase trinta anos após o golpe militar que deu origem à última ditadura (1976-83) argentina, um total de 1.004 processos estão abertos na Justiça contra os ex-repressores que participaram de graves violações aos direitos humanos. O total foi levantado pelo Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels), que também indicou que 204 ex-militares e militares (sete em atividade), ex-policiais, civis e até um capelão do Exército estão detidos por causa dos crimes cometidos.Durante os sete anos de ditadura, os militares seqüestraram, torturaram e assassinaram mais de 30 mil pessoas. Além disso, seqüestraram 500 bebês, filhos dos desaparecidos políticos. Segundo o Cels, existem 503 acusados. Quarenta e três ex-repressores estão foragidos da Justiça.Especialistas calculam que diversos fugitivos ainda residem dentro da Argentina, mas com outras identidades. Outros estariam refugiados em países vizinhos, como o Paraguai, Brasil e Bolívia, além de outros países latino-americanos, nos Bálcãs (onde lutaram como mercenários na Guerra da Bósnia) e na África do Sul.Ao longo de 2005 o número de detidos subiu de 122 para 204. Os analistas consideram que o aumento das detenções foi facilitado pela decisão da Corte Suprema de Justiça, em junho, de declarar a inconstitucionalidade das leis de Obediência Devida e de Ponto Final, conhecidas genericamente como "as leis do perdão". A decisão estimulou a abertura de dezenas de processos e a aceleração de outros. Apesar da grande quantidade de detidos, somente dois estão condenados. Eles são o ex-médico Jorge Antonio Bergés, responsável por dezenas de partos clandestinos e de ter seqüestrado os bebês recém-nascidos, além de adulterar identidades; e o ex-chefe da polícia Miguel Etchecolatz, famoso por ter torturado mulheres grávidas e de ter apropriado-se de suas crianças.

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