Argentina acusa Uruguai de quebrar tratado sobre rio

A Argentina acusou o Uruguai de ter "flagrantemente descumprido" a lei internacional ao autorizar a construção de duas fábricas de celulose no rio Uruguai, que separa os dois países. A acusação foi feita hoje, em Haia, na Holanda. Segundo a representante da Argentina no Tribunal Internacional de Justiça, Susana Ruiz Cerutti, a fábrica, que transforma eucaliptos em celulose, a matéria-prima do papel, já polui as águas e solta gases malcheirosos nas proximidades de uma cidade turística argentina. "Tem cheiro de ovo podre", disse Cerutti. "É um odor repugnante e nauseante".

AE-AP, Agencia Estado

14 de setembro de 2009 | 16h40

O Uruguai diz que a fábrica de US$ 1,2 bilhão - o maior projeto de investimento estrangeiro da história do país - deve elevar as exportações uruguaias em 15%. A disputa interrompe as historicamente amigáveis relações entre os dois vizinhos e deu origem a bloqueios de manifestantes argentinos em importantes pontes sobre o rio. Cerutti disse aos juízes da corte que a autorização de Montevidéu para a construção das duas fábricas quebra os termos de um tratado de 1975 entre Argentina e Uruguai sobre o uso do rio. O principal representante do Uruguai no tribunal, Carlos Mora, disse que não faria comentários sobre as acusações argentinas nesta segunda-feira.

A Argentina tem cinco dias para apresentar suas acusações antes de o Uruguai iniciar sua defesa no dia 21 de setembro. O tribunal vai definir se o Uruguai quebrou o tratado de 1975 ao autorizar a construção das fábricas. As decisões de tribunais internacionais são finais e obrigatórias, embora não sejam sempre obedecidas. O tribunal, que é a corte mais alta da Organização das Nações Unidas (ONU) e julga disputas entre países. Pode levar meses até que uma decisão seja anunciada.

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