Argentina adia eleição do novo presidente

A Assembléia Legislativa de Argentina, que reúne a Câmara e o Senado, adiou para a manhã deste domingo a votação sobre quem será designado o novo presidente provisório, já que não foi fechado na noite deste sábado um acordo sobre a duração do mandato-tampão. Apesar do consenso de que o próximo chefe de Estado será o peronista Adolfo Rodríguez Saá, existem divergências se o mandato terá a duração de três meses, até março de 2002, quando seriam realizadas eleições diretas, ou até dezembro de 2003, quando terminaria o governo de Fernando De lá Rúa. A votação está marcada para às 12h de Brasília, segundo acordo firmado pelos partidos políticos na Assembléia Legislativa, que demorou quase três horas para começar. Apesar do aparente acordo, os parlamentares ficarão reunidos durante toda a madrugada, com a discussão do projeto de lei para designar o novo presidente provisório. Caso Saá seja confirmado pelo Congresso, ele será o novo ocupante de "el sillón de Rivadavia", como é conhecida a cadeira presidencial, mas somente até 5 de abril. Antes disso, se o peronismo conseguir concretizar suas intenções, em 3 de março serão realizadas eleições presidenciais diretas, que definirão o novo presidente que governará até dezembro de 2003. Desta forma, o presidente definitivo completará o mandato de Fernando De la Rúa, que renunciou na quinta-feira.As eleições de março serão realizadas por meio do sistema da "lei de lemas", como são denominadas as sub-legendas. Desta forma, o peronismo poderá resolver diretamente nas urnas uma feroz convenção partidária interna que poderá demorar muito mais que os dois meses e meio que possuem pela frente. Se nenhum partido conseguir mais de 45% dos votos, será convocado um segundo turno. Outra possibilidade para evitar o segundo turno ocorreria se algum partido obtiver 40% dos votos, e tiver 10% de diferença do segundo colocado. No caso de ser realizado um segundo turno, ele ocorreria em 31 de março. A decisão da eleição em março foi tomada pelos principais caciques do peronismo, que pretendem chegar ao poder pelo voto popular, para ter amplo respaldo para a nova gestão que se encarregaria de tirar o país da profunda crise social e financeira em que está afundado. A União Cívica Radical (UCR) anunciou que rechaça a idéia de eleições no dia 3 de março. Os partidos provinciais e os partidos de esquerda também se posicionaram contra. Os debates entraram madrugada adentro, e não se descartava uma nova virada no impasse político argentino. As eleições de março serão na verdade uma ampliação, à esfera nacional, da convenção interna que os peronistas não terão tempo de fazer nos próximos 67 dias. "La interna", como denominam a disputa visceral que costuma sacudir o peronismo na hora da escolha de um novolíder, costuma levar muito meses de discussões, pressões, chantagens e até mortes. Na falta desse tempo, as principais lideranças peronistas decidiram levar a convenção às urnas. Isto será feito por meio de uma alteração da lei eleitoral, permitindo que cada partido possa apresentar diversos candidatos à presidência da República. Medidas: O provável presidente afirmou que manterá a conversibilidade econômica, que desde 1991 estabelece a paridade um a um entre o peso e o dólar, e que poderá dar o calote da dívida externa. Além disso, Saá se dispõe a aplicar um amplo pacote social para reduzir os alarmantes índices de desemprego, com a criação de 1,5 milhões de postos de trabalho. Saá deve criar um novo bônus, que substituirá os bônus utilizados pelos governos das províncias para o pagamento dos salários dos funcionários públicos e fornecedores do Estado. Neste caso, desapareceriam os bônus lecops e patacones. O novo bônus, que utilizaria para um terço dos gastos orçamentários, se transformaria em uma virtual "terceira moeda". Segundo fontes peronistas, a idéia seria lentamente "torpedear" a conversibilidade econômica para a médio prazo provocar a desvalorização. Leia o especial

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