Argentina admite agravamento da crise com o Uruguai

A crise nas relações entre Argentina e Uruguai agravou-se com as novas medidas tomadas por Montevidéu a favor da empresa de celulose finlandesa Botnia instalada em território uruguaio, admitiu nesta quinta-feira o embaixador de Buenos Aires no país vizinho, Hernán Patiño Mayer. Apesar disso, "até o momento, permanecem inalterados" os planos do presidente argentino Néstor Kirchner de viajar a Montevidéu para participar da XVI Cúpula Ibero-Americana que começa na sexta-feira, disse o diplomata. Patiño afirmou que Montevidéu voltou a violar o estatuto de administração compartilhada do rio Uruguai ao permitir que a Botnia extraia um volume "significativo" de água para a fábrica que está construindo na margem uruguaia. "Textualmente, o Uruguai não pode produzir fatos que agravem a situação, e toda nova violação do estatuto significa um agravamento da situação", afirmou o embaixador em declarações a rádios de Buenos Aires. O diplomata disse que o estatuto "estabelece que toda decisão vinculada ao rio Uruguai deve ser analisada de forma bilateral". Por isso, a Argentina "reserva-se o direito de adotar as ações legais que considere correspondentes nos fóruns internacionais". O embaixador afirmou que "esta é mais uma violação" do pacto dos dois países para administrar os recursos do rio Uruguai, e lembrou que a Argentina apresentou essa posição ao Tribunal Internacional de Haia. A Argentina entregou nesta quarta-feira uma nota de protesto ao Uruguai relativa ao assunto. A Botnia está construindo uma fábrica de celulose na cidade uruguaia de Fray Bentos, às margens do rio Uruguai e em frente à cidade argentina de Gualeguaychú, cujos habitantes voltarão a impedir o acesso à ponte que une as duas a partir da sexta-feira, coincidindo com o começo da Cúpula Ibero-Americana. O protesto durará até domingo, quando termina a reunião de líderes ibero-americanos em Montevidéu. "Os fechamentos de estrada não facilitam o diálogo, não ajudam a fazer algo que os próprios participantes da assembléia (de Gualeguaychú) pediram, que é restabelecer urgentemente o diálogo bilateral no mais alto nível", afirmou Patiño Mayer, lembrando que o Governo argentino desencorajou esse tipo de protesto. "Ouvi algumas declarações dos participantes da assembléia dizendo que os fechamentos de estrada ajudariam a chamar a atenção do Banco Mundial. Eu tenho sérias dúvidas de que Paul Wolfowitz (presidente da instituição), que foi o responsável pelas duas invasões do Iraque, possa se comover com um fechamento de estrada", disse.

Agencia Estado,

02 Novembro 2006 | 14h12

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